“Mas essa é uma falsa questão”. (2º par.). De acordo com a ...
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Ano: 2026
Banca:
ISET
Órgão:
Prefeitura de Lajedinho - BA
Prova:
ISET - 2026 - Prefeitura de Lajedinho - BA - Professor de Ensino Fundamental II - Língua Portuguesa e Literatura |
Q4339114
Pedagogia
Texto associado
O texto III a seguir servirá de base para a resolução da questão.
TEXTO III
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs
Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e
interpretação de textos, a atividade metalinguística deve ser
instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua
que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.
Assim, não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado
das práticas de linguagem. É o caso, por exemplo, da gramática
que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se
emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que
só serve para ir bem na prova e passar de ano - uma prática
pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de
exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização
de terminologia. Em função disso, discute-se se há ou não
necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa
questão: a questão verdadeira é o que, para que e como
ensiná-la.
Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise
linguística, que a referência não pode ser a gramática
tradicional. A preocupação não é reconstruir com os alunos o
quadro descritivo constante dos manuais de gramática escolar
(por exemplo, o estudo ordenado das classes de palavras com
suas múltiplas subdivisões, a construção de paradigmas
morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um
fôlego em todas as suas formas temporais e modais, ou de
pontos de gramática, como todas as regras de concordância,
com suas exceções reconhecidas).
O que deve ser ensinado não responde às imposições de
organização clássica de conteúdos na gramática escolar, mas
aos aspectos que precisam ser tematizados em função das
necessidades apresentadas pelos alunos nas atividades de
produção, leitura e escuta de textos.
O modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica
metodologia de definição, classificação e exercitação, mas
corresponde a uma prática que parte da reflexão produzida
pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia simples
e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor,
do conhecimento gramatical produzido. Isso implica, muitas
vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela
gramática tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não
corresponde aos usos atuais da linguagem, o que coloca a
necessidade de busca de apoio em outros materiais e fontes.
[...] não se pode mais insistir na ideia de que o modelo de
correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível
padrão de língua ou que corresponda à variedade linguística de
prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor
atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às
variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas
pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente
reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação
negativa.
Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua
padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que
existe uma forma "correta" de falar, o de que a fala de uma
região é melhor do que a de outras, o de que a fala "correta" é
a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala
mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de
que é preciso "consertar" a fala do aluno para evitar que ele
escreva errado.
Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de
mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de
incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma
língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por
mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um
princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem:
o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de
escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição,
mas por extensão da competência linguística e pela construção
ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.
No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e
escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas
permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando
as características e condições do contexto de produção, ou
seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de
língua e o estilo às diferentes situações comunicativas: saber
coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazêlo; saber que modo de expressão é pertinente em função de
sua intenção enunciativa - dado o contexto e os interlocutores
a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de
adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da
linguagem.
(BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília:
MEC/SEF, 1998. Fragmentos, p. 28, 29 e 31.)
“Mas essa é uma falsa questão”. (2º par.). De acordo com
a leitura do fragmento indicado no texto III, pode-se
entender que a polêmica abordada se refere à seguinte
discussão: