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Q3508952 Medicina
Vacinas administradas por via mucosa têm sido estudadas como alternativas inovadoras para indução de imunidade de barreira em locais de entrada de patógenos. Sobre as características e desafios desse tipo de imunização, assinale a alternativa correta.
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Tema central: vacinas por via mucosa buscam induzir imunidade de barreira nos locais de entrada de patógenos (vias aéreas, trato gastrointestinal e geniturinário), ativando o MALT (tecido linfoide associado à mucosa) e gerando principalmente IgA secretora (sIgA) e linfócitos T de memória residentes em tecido.

Alternativa correta: B. A eficácia de vacinas mucosas está fortemente ligada à indução de IgA secretora nas superfícies epiteliais. A sIgA neutraliza patógenos e toxinas no lúmen, impede adesão/penetração sem inflamação excessiva e é transportada pelo receptor poli-Ig até a mucosa, ganhando o “componente secretor” que a protege da proteólise. Esse é o marco da imunidade mucosa (Plotkin’s Vaccines; UpToDate: Mucosal immunization). Diretrizes e revisões (OMS/WHO Position Papers, ACIP/CDC) reconhecem a importância da resposta de IgA para proteção em vacinas orais e nasais.

Análise das incorretas:

A. Incorreta. A via mucosa não é limitada à resposta sistêmica. Pelo contrário, ela é especialmente eficaz em resposta local (sIgA) e também pode induzir IgG sistêmica e células T circulantes por “homing” mucoso (integrina α4β7/CCR9). Dizer que não gera resposta local contraria a base da imunologia de mucosas (Janeway’s Immunobiology).

C. Incorreta. A mucosa tende à tolerância e o antígeno sofre degradação por pH/enzimas. Frequentemente são necessários adjuvantes (p.ex., TLR agonistas, dmLT) e sistemas de entrega (micro/nanopartículas, revestimento entérico) para aumentar estabilidade, retenção e imunogenicidade. Apenas alguns imunógenos vivos atuam como “auto-adjuvantes” (UpToDate; Plotkin’s).

D. Incorreta. Não são apenas vírus vivos atenuados. Há exemplos de vacinas inativadas/subunitárias pela via mucosa, como as vacinas orais inativadas contra cólera (Dukoral, Shanchol) recomendadas pela OMS em estratégias de controle (WHO Position Paper on Cholera Vaccines). Assim, a via é compatível com plataformas diversas quando bem formuladas.

E. Incorreta. A via mucosa não está contraindicada em pediatria. Pelo contrário, há amplo uso seguro em crianças, como vacinas orais contra rotavírus e, historicamente, OPV. A vacina influenza intranasal (LAIV) é indicada em faixas etárias específicas (ex.: 2–49 anos em alguns países), com contraindicações pontuais, não por “alto risco inflamatório” (ACIP/CDC; SBP/Ministério da Saúde).

Dicas de prova: ao ver termos como “imunidade de barreira” e “IgA secretora”, pense em via mucosa. Desconfie de absolutos (“dispensa adjuvantes”, “apenas vírus vivos”, “contraindicada em pediatria”) — costumam ser armadilhas. Lembre também dos desafios: tolerância, degradação do antígeno, necessidade de formulações mucoadesivas e de adjuvantes apropriados.

Referências-chave: Plotkin’s Vaccines; UpToDate (Mucosal vaccines); Janeway’s Immunobiology; WHO Position Paper on Cholera Vaccines; ACIP/CDC recomendações de LAIV.

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