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Q3833604 Medicina
Uma paciente de 32 anos, residente em zona rural, apresenta-se à consulta relatando que, há cerca de 36 horas, sentiu uma "picada de inseto" na coxa enquanto se vestia pela manhã. No momento do exame, observa-se no local uma lesão com halo pálido (isquêmico) e áreas de equimose (aspecto marmóreo), sem necrose franca ainda instalada. A paciente queixa-se de mal-estar, febre e apresenta icterícia e urina com cor de "lavado de carne".
Com base na suspeita clínica de Loxoscelismo (aranha-marrom), assinale a alternativa CORRETA quanto à classificação e manejo. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Lesão com halo pálido/isquêmico e equimose em aspecto marmóreo associada a febre, mal-estar, icterícia e urina em "lavado de carne" sugere loxoscelismo cutâneo-visceral por hemólise; por isso, a alternativa correta é a que indica soroterapia específica e corticoterapia.

Tema central: Loxoscelismo cutâneo-visceral
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o caso não é leve nem exclusivamente cutâneo. O dado que exclui essa alternativa é a presença de manifestações sistêmicas hemolíticas: icterícia e urina em “lavado de carne”, além de febre e mal-estar. A ausência de necrose franca no momento do exame não reclassifica o quadro como leve, porque no loxoscelismo a gravidade pode ser definida pela hemólise sistêmica mesmo antes de necrose instalada.
B
Errada
Está errada por atribuir ao loxoscelismo sinais de outra síndrome de envenenamento. Priapismo e sialorreia remetem a quadro neuroautonômico, mais compatível com escorpionismo, não com loxoscelismo grave. No loxoscelismo cutâneo-visceral, o padrão esperado é hemólise intravascular, com icterícia, hemoglobinúria/urina escura e possível repercussão sistêmica, não priapismo e sialorreia.
C
Certa
A alternativa C reconhece corretamente a classificação clínica do caso. A lesão local descrita é compatível com loxoscelismo, e os achados sistêmicos não permitem classificá-lo como forma apenas cutânea: icterícia e urina escura tipo “lavado de carne” indicam hemólise/hemoglobinúria, quadro típico da forma cutâneo-visceral. Nessa situação, a conduta esperada não é apenas observação, mas tratamento específico com soroterapia e corticoterapia, conforme o núcleo terapêutico apresentado na base.
D
Errada
Está errada porque o diagnóstico sindrômico não é de escorpionismo. O enunciado traz uma lesão local típica de aranha-marrom, com halo isquêmico e aspecto marmóreo, somada a hemólise sistêmica; esse conjunto não corresponde ao padrão autonômico/neurotóxico do escorpionismo grave. Ao propor soro antiescorpiônico e gluconato de cálcio, a alternativa direciona a conduta para um envenenamento diferente e tecnicamente inadequado para o quadro descrito.
E
Errada
Está errada porque a lesão descrita favorece loxoscelismo, não acidente por Latrodectus. A base afirma que o latrodectismo cursa predominantemente com síndrome neurotóxica dolorosa e manifestações neurovegetativas, e não tem como padrão principal placa marmórea com hemólise. Além disso, a alternativa erra ao afirmar que essa lesão seria patognomônica de Latrodectus e que evoluiria frequentemente com hemólise severa.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre gravidade cutânea e gravidade sistêmica: a falta de necrose franca pode induzir erro, mas o que define o caso como grave é a hemólise sistêmica indicada por icterícia e urina em “lavado de carne”.
Dica para questões semelhantes
  • Em loxoscelismo, classifique primeiro pelo binômio lesão marmórea típica + presença ou ausência de hemólise sistêmica.
  • Não use necrose instalada como único marcador de gravidade; icterícia e urina escura pesam mais para forma visceral.
  • Separe as síndromes: loxoscelismo é dermonecrótico/hemolítico; escorpionismo e latrodectismo têm predomínio neuroautonômico.

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