Mulher de 80 anos, tabagista, apresenta quadro de obstrução ...
Gabarito comentado
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Tema central: Rinossinusite crônica de provável origem odontogênica, cursando com polipose nasal e estreitamento inflamatório do ducto nasolacrimal (epífora). O achado de comunicação oroantral por lesão perirradicular e esclerose óssea sem erosões aponta para processo inflamatório crônico, não neoplásico.
Alternativa correta: D – Sinusite crônica e polipose nasal com manejo inicial: tratamento odontológico da fonte (endodontia/exodontia) e correção da fístula oroantral, associado a antibioticoterapia com cobertura de anaeróbios (ex.: amoxicilina-clavulanato) e corticosteroides tópicos nasais para polipose. A presença de conteúdo expansivo nos seios, polipóide nasal, esclerose das paredes e ausência de erosão óssea favorecem inflamação crônica. O estreitamento do ducto nasolacrimal explica a epífora e tende a melhorar após controle do processo inflamatório. Diretrizes EPOS 2020/2023 e AAO-HNS, além do UpToDate, reforçam: em rinossinusite odontogênica, a eliminação do foco dentário é prioritária; esteroide intranasal e irrigação salina são adjuvantes.
Raciocínio diagnóstico:
- Unilateralidade + polipose + secreção purulenta → pensar em rinossinusite crônica unilateral.
- Oroantral por lesão periapical → forte sinal de sinusite odontogênica.
- Esclerose óssea sem erosão → cronicidade inflamatória; vai contra neoplasia agressiva.
- Epífora por estenose inflamatória do ducto (geralmente não exige cirurgia imediata).
Análise das alternativas incorretas:
A – Osteoma cursa com massa óssea densa bem delimitada, não com opacificação sinusal difusa, conteúdo mucoso/caseoso e polipose. Não explica a fístula oroantral. Conduta de “apenas observar” não aborda infecção ativa.
B – Carcinoma adenoide cístico apresenta invasão/erosão óssea, dor e disseminação perineural. As imagens mostram ausência de erosões e sinais de inflamação crônica; maxilectomia seria desproporcional.
C – “Neoplasia benigna” não se sustenta: há foco odontogênico e sinais inflamatórios. Acesso aberto de Weber-Fergusson não é primeira linha para rinossinusite crônica com polipose; manejo é odontológico + terapia clínica e, se necessário, cirurgia endoscópica.
E – Chama de “granuloma nasal”, mas o quadro é de polipose. Propõe plástica do canal nasolacrimal inicial, o que é precoce em estenose inflamatória; “drenagem por acesso oral” (Caldwell-Luc) não é padrão atual frente à opção endoscópica funcional.
Estratégia de prova: Em obstrução nasal unilateral com epífora, pense em tumor; porém, a ausência de erosão óssea, a esclerose difusa e a comunicação oroantral redirecionam para causa inflamatória odontogênica com polipose.
Referências: EPOS 2020/2023 (European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps); AAO-HNS Clinical Practice Guideline: Adult Sinusitis; UpToDate: Odontogenic sinusitis; Harrison’s Principles of Internal Medicine (cap. de infecções de vias aéreas superiores).
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