Uma paciente de 30 anos, residente em zona rural e em tratam...

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Q3833591 Medicina
Uma paciente de 30 anos, residente em zona rural e em tratamento paucibacilar (PB), retorna à UBS com queixa de dor intensa "tipo choque" no cotovelo direito e perda de força para segurar a enxada. O médico nota que as manchas pré-existentes estão mais inchadas e avermelhadas. Devido à dificuldade de transporte para a cidade, a paciente solicita tratamento na própria unidade.
Considerando o papel da Atenção Primária e o manejo da Reação Tipo 1, qual a conduta CORRETA?  
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O quadro é de reação hansênica tipo 1 com neurite aguda, dada a piora inflamatória das lesões pré-existentes associada a dor em choque e perda de força; nessa situação, a diretriz do Ministério da Saúde indica prednisona 1 mg/kg/dia, com início na APS, e profilaxia para estrongiloidíase ao iniciar corticoterapia sistêmica.

Tema central: Reação hansênica tipo 1 com neurite
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A corresponde ao manejo indicado para reação hansênica tipo 1 com neurite: iniciar corticoterapia sistêmica precoce com prednisona 1 mg/kg/dia para reduzir a inflamação neural e o risco de incapacidade, sem aguardar especialista. A base também orienta profilaxia para Strongyloides stercoralis com albendazol ou ivermectina ao iniciar corticoide sistêmico no contexto brasileiro. Por isso, é a única opção compatível com o caso e com a diretriz citada.
B
Errada
Está errada porque talidomida não é o tratamento da reação tipo 1 com neurite; pela base, ela é indicada para reação tipo 2, não para esse quadro cutâneo-neural inflamatório. Além disso, o argumento de baixo risco de gravidez por viver em área rural é medicamente inválido, já que a teratogenicidade exige controle rigoroso em mulher em idade fértil.
C
Errada
Está errada porque a neurite hansênica é urgência funcional e o atraso do corticoide aumenta o risco de dano neural permanente. A base é explícita ao afirmar que a APS pode iniciar o manejo da reação hansênica e não deve encaminhar sem tratamento apenas por aguardar atenção especializada.
D
Errada
Está errada porque amitriptilina pode ser adjuvante para dor neuropática, mas não trata a inflamação imunomediada da reação tipo 1. O problema central aqui não é apenas dor; há neurite com perda de força e lesões inflamadas, situação que requer corticoterapia imediata. Aguardar 4 semanas contraria o caráter tempo-dependente da prevenção de sequela neural.
E
Errada
Está errada porque o quadro não é neurite isolada: há também piora inflamatória das lesões cutâneas pré-existentes, o que caracteriza reação tipo 1. Compressas quentes não tratam a neurite inflamatória, e aumentar a dapsona é inadequado porque a base esclarece que o estado reacional é complicação imunológica, não falha da poliquimioterapia nem problema corrigido por ajuste da PQT.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tratar a dor em choque como se fosse apenas neuralgia a ser medicada sintomaticamente e supor que a APS não pode iniciar corticoide em alta dose, quando o quadro é de reação tipo 1 com neurite e exige tratamento imediato.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver lesões antigas mais inflamadas junto com dor neural e perda de força, pense em reação tipo 1 com neurite, não em dor neuropática isolada.
  • Na hanseníase reacional com neurite, o critério decisivo é risco de dano neural: isso favorece corticoide sistêmico precoce, não observação.
  • Talidomida não deve ser generalizada para toda reação hansênica; pela base, ela pertence à reação tipo 2, não à tipo 1.
  • Quando a questão trouxer manejo na APS, não presuma incapacidade da unidade básica: a base afirma que a APS pode iniciar o tratamento reacional e associar profilaxia para estrongiloidíase ao começar corticoide.

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