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O envelhecer e seus impactos na sociedade



Publicado em 19/02/2024 às 06:00.
Viviane Gago*



          Quando jovens, muito comumente pensamos e sentimos que somos imortais; e não pensamos na velhice, na morte; que é bom e ruim.
         No meu atual ciclo de vida, entrei na década dos 50 anos de idade, pego-me pensando sobre o envelhecer, que como tudo possui aspectos legais e não tão legais, positivos e negativos; por isso decidi falar um pouco sobre isso este mês.
         O etarismo, também conhecido como discriminação etária, refere-se à prática de julgar ou discriminar indivíduos com base em sua idade, afeta os jovens e os mais velhos, aqui focarei mais nestes últimos.
       As causas desse fenômeno são multifacetadas e podem incluir estereótipos culturais enraizados, preconceitos sociais, a busca pela juventude idealizada, crenças como idosos não podem trabalhar, idosos são frágeis e não conseguem resolver suas necessidades básicas, os mais velhos nada têm a contribuir etc.
       O preconceito afeta a saúde mental da pessoa porque ela tende a ficar em isolamento, não se sente confortável no ambiente onde ela é basicamente rejeitada por ter mais de 60 anos de idade, isso pode inclusive levar à depressão, uma vez que a pessoa muitas vezes pode não sentir coragem de externar o que realmente pensa e sente; especialmente aqueles que têm poucos recursos.
      Enquanto jovens adultos podem receber salários mais baixos, por serem considerados menos experientes, as pessoas mais velhas podem ter problemas para conseguir promoções ou encontrar trabalho. Isso tudo afeta diretamente a dignidade dessas pessoas; pois a levam para uma má qualidade de vida.       
         Lembremo-nos de algumas leis que protegem o idoso, a exemplo do artigo 96 da Constituição Federal, que aliás muita gente desconhece e dispõe que “Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício de cidadania, por motivo de idade: Pena – reclusão de 06 (seis) meses a 1 (um) ano e multa”. Existe também o Estatuto do Idoso que o protege e há um Projeto de Lei 3.549/2023 – Câmara dos Deputados que preceitua que o etarismo é a discriminação praticada contra indivíduos ou grupos de pessoas com base em estereótipos associados à idade.           Uma das formas de combater esse preconceito etário é conscientizar a população sobre os problemas que ele pode criar, aliás desnecessariamente, pois, com relação aos mais velhos, eles possuem enorme experiência de vida, privilégio que nem todos teremos, essas pessoas podem ter uma “bagagem” que muito pode agregar em qualquer cenário pessoal e/ou mercadológico. Lembremos do filme “Um senhor estagiário”, um dos aspectos principais é a união de gerações, a ideia de que a experiência e a juventude podem coexistir e se complementar. Ben, com sua experiência e calma, se contrapõe à agitada e moderna realidade da startup de Jules.
        O fato é que, pelo menos no meu entorno, vejo as pessoas viverem por muitos e muitos anos, com uma saúde mental e lucidez invejáveis, para terem uma ideia agora dia 03/02/24 fui convidada diretamente pela aniversariante, minha tia Reny, para o seu aniversário de 95 anos de plena elegância, lucidez e sabedoria, dia 17/02/24 fui convidada para os 90 anos da Tia Maura, mãe de um amigo querido, minha sogra com 83 anos é lúcida, minha tia Neter com 94 anos, minha tia Dirce com 91 anos, cheia de opinião, bonita, arrumada, voz firme e acompanha as mídias sociais; e tudo isso pertinho de mim para testemunhar a longevidade dessas mulheres
        O nosso país, além de ter de melhorar em muitos aspectos a exemplo da educação e do combate à corrupção, da melhora da malha logística do país, precisa também criar ferramentas, meios de melhorar também a qualidade de vida dos idosos, promovendo atividades culturais, acessibilidade, cursos, grupos, programas voltados para eles, assim como outros países já o fazem há muito tempo a exemplo da Suíça, Noruega, Suécia, Alemanha dentre outros.
        Interessante abrir um parêntese para falar sobre como o idoso é visto no Japão, a velhice é sinônimo de sabedoria, a cultura do idoso oriental têm como tradição cuidar bem e reverenciar os idosos, fruto de aspectos milenares em que dignidade e respeito são valores cultuados por eles.
          Vamos parar e pensar antes de expressar frases como “Você não tem mais idade para isso”, “Você não aparenta ter essa idade”, “Depois de certa idade”, “Você está bem/ bonita para sua idade”, dentre outras; que só tem como finalidade colocar as pessoas para baixo.
         E para finalizar compartilho que essa semana em que vi meu padrinho partir com 77 anos e também celebrei os 60 anos de uma amiga querida, pude trocar com minha amiga desde a adolescência várias coisas importantes sendo uma delas a reflexão relacionada ao fato de que quanto mais avançamos na caminhada da nossa vida devemos buscar sabedoria para nos adaptar aos diferentes ciclos e momentos de nossas vidas, simplificar nossa vida como um todo inclusive avaliando sobre o que precisamos e o que não precisamos material e espiritualmente em nossas vidas e lutar para manter ao máximo nossa autonomia e independência.
        Abraços e boas reflexões para todos. Como diz Oswaldo Montenegro: “Se puder, envelheça”: .... ficar velho é sacar nossa própria desimportância”. Algo importante de pontuar em um mundo onde as pessoas têm uma vaidade, arrogância e falta de sabedoria implacáveis e destrutivas para consigo e para com os outros. 


* Advogada e consteladora pelo Instituto de Psiquiatria da USP (IPQ/USP).
Disponível em https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/o-envelhecer-e-seus-impactos-na-sociedade-1.1000415. Adaptado.
Em “...e há um Projeto de Lei 3.549/2023 – Câmara dos Deputados que¹ preceitua que² o etarismo é a discriminação praticada contra indivíduos ou grupos de pessoas com base em estereótipos associados à idade.”, as partículas “que” destacadas podem ser classificadas, respectivamente, como 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: A questão aborda a função morfossintática da palavra "que", ponto recorrente em provas para o cargo de Professor. O domínio dessas classificações é crucial para a correta análise sintática de orações subordinadas, conforme determina a norma-padrão.

Regra Aplicável: Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra e Evanildo Bechara, “que” pode assumir diversas funções, destacando-se as funções de pronome relativo e conjunção integrante:

  • Pronome relativo: retoma um termo antecedente, ligando-o a uma oração subordinada adjetiva. Exemplo: “O professor que explica bem facilita o aprendizado.”
  • Conjunção integrante: introduz oração subordinada substantiva, exercendo função de sujeito, objeto ou complemento. Exemplo: “Afirmou que viria.”

Análise dos “que” do trecho:

No segmento: “Projeto de Lei 3.549/2023 – Câmara dos Deputados que¹ preceitua que² o etarismo é…”:

  • "que¹": Pronome relativo. Retoma “Projeto de Lei” e introduz oração adjetiva, caracterizando-o. Regra: “O pronome relativo sempre se refere a um nome antecedente.”
  • "que²": Conjunção integrante. Introduz oração subordinada substantiva objetiva direta (“o etarismo é a discriminação...”), completando o verbo “preceitua”. Regra: “A conjunção integrante não retoma termo anterior, mas inicia oração com função de substantivo.”

Justificativa da alternativa correta:

C) 1. Pronome relativo. 2. Conjunção integrante. — Correta pois cada “que” desempenha função distinta, conforme exige a análise sintática e a gramática de referência.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Erro: ambos não são conjunção integrante.
  • B) Erro: o segundo não retoma nome, logo não pode ser pronome relativo.
  • D) Inversão indevida das funções.

Estratégia para provas: Observe sempre se o “que” tem termo antecedente (relativo) ou se apenas introduz informação (integrante). Isso evita confusões, muito comuns em bancas examinadoras.

Referências: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.

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Comentários

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Só realizar a substituição:

Câmara dos Deputados A QUAL preceitua ISSO[...]

GAB C

GAB: C

Quando você troca o "que" por O QUAL, A QUAL, OS QUAIS, AS QUAIS.. = pronome relativo --> Inicia uma oração subordinada adjetiva.

Quando troca por ''ISSO, DISSO, NISSO..COM ISSO'' = conjunção integrante --> Inicia uma oração subordinada substantiva.

Obs.: conjunção integrante só podem ser duas: ''QUE'' e ''SE''.

 

Que1: substituído por "a qual" - pronome relativo

Que2: iniciando a oração subordinada substantiva objetiva direta (preceitua "o que?" > que o etarismo... - conjunção integrante

(toda conjunção que introduz uma substantiva é integrante. as substantivas são aquelas com papel sintático, como OD, OI, aposto, predicativo...)

Gabarito C

Um pronome relativo é uma palavra que substitui um substantivo já mencionado na frase, estabelecendo uma relação entre a oração principal e a oração subordinada adjetiva, que o complementa. 

As conjunções integrantes, também conhecidas como conjunções subordinativas integrantes, são palavras que introduzem orações subordinadas substantivas, ou seja, orações que funcionam como substantivos na frase.

CFOPMBA

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