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Leia a frase a seguir:“Nossa morte é nossa boda com a eterni...

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Q3883180 Português
Leia a frase a seguir:
“Nossa morte é nossa boda com a eternidade”. (Djalal al-Din)
Assinale a opção que mostra uma observação correta sobre ela.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O trecho decisivo é “Nossa morte é nossa boda com a eternidade”. Nele, “a eternidade” ocupa posição nominal após a preposição em “boda com ...” e pode ser substituída por “o eterno”, forma substantivada de valor nominal, sem romper a estrutura essencial da frase; por isso, a alternativa D é a única correta.

Tema central: sentido da frase metafórica
Análise das alternativas
A
Errada
O possessivo “nossa” não autoriza concluir que haja estratégia de aproximação com os leitores. Na frase, ele funciona como forma inclusiva e universalizante da condição humana. Falta elemento textual que permita atribuir a esse uso a intenção específica de interlocução com o leitor.
B
Errada
A relação entre “morte” e “boda” é figurada, não lógica nem denotativa. Em “morte é nossa boda”, há metáfora, isto é, associação simbólica entre morte, união e transcendência. Além disso, a frase não expressa felicidade de modo literal; essa leitura só poderia ser inferida da imagem de “boda”, nunca tratada como linguagem denotativa.
C
Errada
A frase não apresenta visão negativa da morte. Ao associá-la a “boda com a eternidade”, o enunciado a ressignifica como passagem, encontro ou integração. A alternativa erra por projetar sobre “morte” um valor negativo fixo que o próprio contexto desfaz.
D
Certa
A alternativa D se sustenta porque “a eternidade” exerce função nominal na expressão “boda com a eternidade”, e essa posição pode ser ocupada por “o eterno”, forma substantivada igualmente compatível com a estrutura. O ponto decisivo não é identidade semântica absoluta entre as duas formas, mas a possibilidade linguística de empregar, nesse lugar da frase, uma forma de valor substantivo sem incompatibilidade estrutural imediata.
E
Errada
Em “com a eternidade”, a preposição “com” indica associação, união ou companhia, valor coerente com “boda”. Não há sentido de oposição, nem equivalência com “contra”. O erro está no valor semântico atribuído à preposição no contexto da frase.
Pegadinha da questão
A banca explora confusões de leitura: tratar a metáfora como linguagem denotativa, fixar valor negativo para “morte” sem considerar a ressignificação do enunciado e exigir sinonímia perfeita para aceitar a substantivação de “o eterno”.
Dica para questões semelhantes
  • Se a frase traz identificação simbólica entre termos, teste primeiro leitura metafórica antes de aceitar explicações denotativas.
  • Não atribua intenção discursiva ao “nós” sem apoio textual claro; uso inclusivo nem sempre significa aproximação com o leitor.
  • Avalie preposição pelo contexto imediato da construção; em expressões como “boda com...”, o valor tende à união, não ao confronto.
  • Quando a alternativa propuser substituição nominal, verifique função sintática e compatibilidade estrutural antes de cobrar equivalência lexical absoluta.

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Comentários

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A alternativa correta é a D) Em lugar de o substantivo abstrato “a eternidade”, poderia estar a forma substantivada “o eterno”.

Esta questão exige do candidato o domínio de Morfossintaxe (substantivação e abstração) e Semântica (sentido figurado e coesão). Vamos decompor a análise para o seu repertório de concursos.

Na língua portuguesa, qualquer palavra de outra classe gramatical (como o adjetivo "eterno") pode ser transformada em substantivo se for precedida de um determinante (artigo, pronome).

  • A eternidade: Substantivo abstrato derivado do adjetivo.
  • O eterno: Adjetivo substantivado pelo artigo "o". No contexto da frase, ambos exercem a mesma função sintática e mantêm a carga semântica de algo que não tem fim. Essa é uma estratégia comum em textos literários e filosóficos para variar o vocabulário sem perda de sentido.

O emprego do "nós" (pronome possessivo "Nossa") em frases filosóficas ou universais tem como objetivo a generalização.

  • O autor não busca apenas uma "aproximação com o leitor" (função fática/apelativa), mas sim estabelecer uma verdade universal que engloba toda a humanidade. É o chamado "nós genérico".

A comparação entre "morte" (fim da vida biológica) e "boda" (festa de casamento/união) é o oposto da linguagem lógica.

  • Trata-se de Linguagem Conotativa (Figurada). No sentido denotativo (dicionário), morte e casamento são eventos distintos. A aproximação entre eles cria uma Metáfora para expressar a transição para algo superior.

A frase apresenta uma visão positiva/espiritualista da morte.

  • Ao usar o termo "boda" (celebração, união, festa), o autor ressignifica a morte como um evento de alegria ou de encontro com o infinito ("eternidade"), afastando a ideia de fim trágico ou negativo.

A preposição "com" estabelece, neste contexto, uma relação de companhia, união ou reciprocidade.

  • Boda com: Casamento com alguém/algo. Indica junção.
  • O valor de "oposição" (contra) só ocorreria em contextos de disputa, como em "Lutou com (contra) o inimigo". Na frase de Djalal al-Din, a morte é o meio de se unir à eternidade, não de combatê-la.

Sobre a A, segue o raciocínio do Gemini para ela estar errada:

A) Emprego do "nós": Incorreto. O uso do pronome possessivo "Nossa" (referente a nós) tem um valor universal/coletivo. Não é apenas para "se aproximar do leitor", mas para indicar uma condição inerente a todos os seres humanos (a finitude).

Ainda assim, penso que poderia estar correta. Apontar uma condição inerente a todos os seres humanos, como a finitude, acaba por naturalmente aproximar o leitor do enunciador do texto.

GABARITO D

RESPONDI CORRETAMENTE, MAS PRA MIM A LETRA A TBM ESTARIA CORRETA.

ESSA EU CONSIDERO SER A MAIOR MALDADE DA FGV, TRAZER RESPOSTAS MUITO PRÓXIMAS, QUE PARECEM CERTAS...

Longe de mim defender essa banca, porém a letra A realmente está incorreta na minha visão. Não acho que o intuito foi aproximar com o leitor, mas sim revelar algo próprio da condição humana.

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