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Q3367361 Medicina
Mulher de 47 anos, portadora de diabetes mellitus tipo 1 e obesidade, conta com aumento do volume submandibular, bilateral, progressivo associado à odinofagia, trismo e dor à palpação local. Há leve desconforto respiratório, sem impacto na saturação de O2 , e temperatura corpórea de 38,5 graus Celsius.
Assinale a alternativa correta frente à hipótese diagnóstica de angina de Ludwig.
Alternativas

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Tema central: Angina de Ludwig é uma celulite necrotizante do assoalho da boca que acomete, de forma típica, os espaços submandibulares e submentonianos bilateralmente, geralmente de origem odontogênica (molares inferiores). Evolui rápido, com risco de comprometimento de via aérea. Fatores de risco: DM, obesidade, imunossupressão (Harrison’s; UpToDate).

Raciocínio clínico: Aumento submandibular bilateral, trismo, odinofagia, febre e desconforto respiratório sugerem fortemente Ludwig. Mesmo com saturação preservada, há risco de deterioração rápida; via aérea é prioridade.

Alternativa correta: B – Conduta base: antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro + abordagem cirúrgica quando indicado, sempre com atenção à via aérea. Priorizar avaliação e, se necessário, proteção precoce da via aérea (intubação com fibrobroncoscopia; traqueostomia se difícil). Esquemas usuais: ampicilina-sulbactam ou piperacilina-tazobactam; alternativas: clindamicina + metronidazol/ceftriaxona; cobertura para MRSA (vancomicina/linezolida) conforme risco. Drenagem/debridamento e extração do foco dentário quando há coleção ou falha clínica. Referências: UpToDate 2024; Harrison’s; diretrizes e consensos de infecções cervicais profundas.

Por que as demais estão erradas?

ARessonância magnética detalha partes moles, mas não é exame de escolha na urgência. O padrão inicial é a tomografia com contraste para mapear espaços cervicais, gás e coleções, após garantir a via aérea (mais rápida e disponível).

C – Não é quadro viral autolimitado. É bacteriano polimicrobiano (estreptococos viridans, anaeróbios, bacilos Gram-negativos), potencialmente fatal, exigindo tratamento hospitalar agressivo.

D – O foco não é tonsilar. O foco mais comum é odontogênico (2º/3º molares inferiores). História de amigdalite aguda é mais típica de abscesso peritonsilar/parafaringeo.

E – Não é unilateral. A apresentação clássica é difusa e bilateral do assoalho da boca; pode haver assimetria, mas a doença é essencialmente bilateral.

Exames e conduta prática: Garantir via aérea; coletar exames (hemograma, PCR, culturas). TC com contraste para definir extensão após estabilização. Controle glicêmico rigoroso no diabético e monitorização em ambiente apropriado.

Pegadinhas de prova: 1) Saturação normal não exclui risco de obstrução. 2) MRI é isca; prefira TC na urgência. 3) Etiologia odontogênica, não tonsilar. 4) Quadro é bilateral, não unilateral.

Fontes: UpToDate (Deep neck space infections; Ludwig angina), Harrison’s Principles of Internal Medicine, consensos sobre infecções cervicais profundas.

Gabarito: B

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