− Esse quadro está torto desde o começo do mundo e ninguém s...
Atenção: A questão refere-se ao texto abaixo, início da crônica "Quadro na parede", de Carlos Drummond de Andrade.
- Esse quadro está torto desde o começo do mundo e ninguém se lembra de consertar sua posição − observou o Sr. Borges, levantando a cabeça, entre o primeiro e o segundo goles do café da manhã.
− Há pessoas realmente exageradas − ponderou a Sra. Borges, enquanto passava geleia no brioche. Esse quadro está assim apenas há uma semana.
− Uma semana parece tempo suficiente para alguém corrigir a posição de um quadro na parede − retrucou o Sr. Borges, sorvendo mais um gole, e desdobrando o jornal.
− Admitindo-se que assim seja, embora a colocação de um objeto de arte exija muitas experiências e tempo indeterminado de observação e crítica, até que seja atingido o resultado ideal, presume-se que a pessoa não satisfeita com a posição de um quadro...
A Sra. Borges fez uma pausa para levar aos lábios a fatia de brioche, mastigá-la e engoli-la, concluindo placidamente:
− Tome a iniciativa de modificá-la para melhor.
− Esse quadro está torto desde o começo do mundo e ninguém se lembra de consertar sua posição − observou o Sr. Borges, levantando a cabeça, entre o primeiro e o segundo goles do café da manhã.
Outro modo de referir a fala acima, iniciando com "O Sr. Borges, levantando a cabeça, entre o primeiro e o segundo goles do café da manhã, observou que... ", estará correto com o seguinte complemento:
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A questão testa sua habilidade em transformar discurso direto em discurso indireto. Vamos entender o que isso significa e como aplicar.
No discurso direto, as palavras da personagem são relatadas exatamente como foram ditas, enquanto no discurso indireto, a fala é integrada à narrativa, com ajustes nos tempos verbais e pronomes, de acordo com a norma gramatical.
Observe que a frase inicial é: “- Esse quadro está torto desde o começo do mundo...”. Ao transformá-la para o discurso indireto, após a expressão “O Sr. Borges, levantando a cabeça, entre o primeiro e o segundo goles do café da manhã, observou que...”, devemos ajustar o tempo verbal para algo mais adequado ao relato indireto.
Agora, analisando as alternativas:
A - “esse quadro está torto desde o começo do mundo e ninguém se lembra de consertar sua posição.” - Incorreta. O uso de “esse” caracteriza um discurso direto, além de manter os tempos verbais no presente, sem ajuste para o relato indireto.
B - “aquele quadro estava torto desde o começo do mundo e ninguém se lembrava de consertar sua posição.” - Correta. A palavra “aquele” é apropriada para o discurso indireto, e há a devida adaptação dos tempos verbais para o pretérito imperfeito (estava, se lembrava), que são condizentes com um relato indireto.
C - “aquele quadro está torto desde o começo do mundo e ninguém chegava a se lembrar de consertar sua posição.” - Incorreta. Embora “aquele” esteja correto, a combinação de tempos verbais está inconsistente, misturando presente com pretérito.
D - “o quadro que estava ali está torto desde o começo do mundo e ninguém se lembra de consertar sua posição.” - Incorreta. A expressão “o quadro que estava ali” não é a melhor escolha para substituir “esse quadro”, e os tempos verbais não estão devidamente ajustados.
E - “um dos quadros está torto desde o começo do mundo e ninguém se lembrava de consertar sua posição.” - Incorreta. “Um dos quadros” não corresponde com precisão ao original “esse quadro”, e há falta de consistência temporal.
Para interpretar a questão adequadamente, é importante atentar para o ajuste dos tempos verbais e dos demonstrativos, que são cruciais na transição entre discurso direto e indireto. Essa habilidade é essencial para um taquígrafo, que deve relatar discursos com precisão e clareza.
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Comentários
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O discurso direto reproduz a fala dos personagens com as próprias palavras de cada personagem, introduzindo-as com o travessão. É isso que vemos originalmente no texto.
O discurso indireto apresenta a fala dos personagens com as palavras do narrador, ou seja, o narrador vai contando uma história, usando suas próprias palavras para relatar o que aconteceu.
O discurso indireto livre reproduz a fala dos personagens com as palavras dos personagens, mas sem o uso de travessão. As palavras do narrador e as do personagem se misturam numa só frase.
A questão quer que o candidato transforme o discurso direto do texto em discurso indireto livre, ou seja, devemos utilizar as falas dos personagens para construir o discurso indireto. Para isso, será necessário eliminar o travessão e fazer ajustes nos verbos.
A alternativa "B" está correta. Veja: "O Sr. Borges, levantando a cabeça, entre o primeiro e o segundo goles do café da manhã, observou que aquele quadro estava torto desde o começo do mundo e ninguém se lembrava de consertar sua posição.". Veja que o pronome demonstrativo "esse" foi trocado por "aquele". O discurso direto reproduz a fala do Sr. Borges, então estava correto o uso de "esse quadro", pois o objeto estava próximo do personagem. Como o quadro não está próximo do narrador, no discurso indireto devemos usar o pronome "aquele", marcado essa distância.
Além disso, veja que os verbos foram empregados no pretérito imperfeito do indicativo. Quando a fala do discurso direto estiver no presente, devemos usar o pretérito imperfeito no discurso indireto!
A alternativa "A" está incorreta. Devemos usar verbos no pretérito, e não no presente!
A alternativa "C" está incorreta. Está incorreto o verbo estar no presente do indicativo, como já explicamos.
A alternativa "D" está incorreta. Mais uma vez temos verbos empregados no tempo presente, o que está incorreto.
A alternativa "E" está incorreta. Já vimos que, quando o verbo do discurso direto estiver no presente, devemos empregá-lo no pretérito imperfeito no discurso indireto.
Fonte: Professora Denise Carneiro
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