Assinale a alternativa em que há o emprego da norma culta:
Leia o texto e responda o que se pede nos comandos da questão.
A força das palavras
Palavras assustam mais do que fatos: às vezes é assim.
Descobri isso quando as pessoas discutiam e lançavam palavras como dardos sobre a mesa de jantar. Nessa época, meus olhos mal alcançavam o tampo da mesa e o mundo dos adultos me parecia fascinante. O meu era demais limitado por horários que tinham de ser obedecidos (porque criança tinha de dormir tão cedo?), regras chatas (porque não correr descalça na chuva? por que não botar os pés em cima do sofá, por quê, por quê, por quê ...?), e a escola era um fardo (seria tão mais divertido ficar lendo debaixo das árvores no jardim de casa...).
Mas, em compensação, na escola também se brincava com palavras: lá, como em casa, havia livros, e neles as palavras eram caramelos saborosos ou pedrinhas coloridas que a gente colecionava, olhava contra a luz, revirava no céu da boca. E, às vezes, cuspia na cara de alguém de propósito para machucar (...).
A palavra faz parte da nossa essência: com ela, nos acercamos do outro, nos entregamos ou nos negamos, apaziguamos, ferimos e matamos. Com a palavra seduzimos num texto; com a palavra, liquidamos - negócios, amores. Uma palavra confere o nome ao filho que nasce e ao navio que transportará vidas ou armas.
"Vá”, “Venha”, "Fique”, “Eu vou”, “Eu não sei”, “Eu quero, mas não posso”, “Eu não sou capaz”, “Sim, eu mereço” - dessa forma, marcamos as nossas escolhas, a derrota diante do nosso medo ou a vitória sobre o nosso susto. Viemos ao mundo para dar nome às coisas: dessa forma, nos tornamos senhores delas ou servos de quem as batizar antes de nós.
Fonte: Lya Luft. Ponto de Vista. Veja, 14/07/04
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Gabarito Comentado – Língua Portuguesa: Norma Culta
Tema central: A questão avalia o emprego da norma culta da língua portuguesa. Para o cargo de Assistente Social, que exige domínio das variações de registro, compreender o que corresponde à linguagem formal, em especial nos aspectos de regência verbal, concordância e vocabulário padrão, é fundamental.
Alternativa correta: E) “A palavra faz parte da nossa essência: (...).”
Nessa frase, está respeitada a regência verbal: o verbo "fazer parte" exige preposição "de", que está corretamente contraída em “da nossa essência”. O uso das palavras segue a norma-padrão, sem marcas de oralidade ou desvios.
De acordo com Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), a regência verbal correta é: “Fazer parte de algo”. Assim, a frase está plenamente adequada ao padrão culto exigido em concursos.
Análise das alternativas incorretas:
A) “regras chatas”: Apesar de estar correta quanto à concordância nominal, não há estrutura que evidencie atenção normativa diferenciada, mas a expressão está adequada.
B) “que a gente colecionava”: Linguagem coloquial. “A gente” é informal. O padrão culta recomenda o uso de “nós colecionávamos”, como orienta o Manual de Redação da Presidência da República.
C) “com ela, nos acercamos do outro”: Regência inadequada. O verbo “acercar-se” deve ser usado com a preposição "de": “nos acercamos do outro”. A forma apresentada não está plenamente consolidada em gramáticas de referência, como Cunha & Cintra.
D) “dessa forma, nos tornamos senhores delas”: Aqui, o termo “delas” faz referência a “coisas” mencionadas, e embora possível em contextos informais, o padrão culto exige clareza na coesão referencial, evitando ambiguidades.
Orientação para provas:
Fique atento a expressões que denunciem linguagem coloquial, como “a gente”, ao uso correto de preposições exigidas por certos verbos (regência), e à clareza na referência pronominal. A norma-padrão deve sempre ser privilegiada em alternativas de concursos.
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Comentários
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GABARITO: LETRA E
Questão marcada por sutilezas, vamos analisar:
A) “(...) regras chatas (...)”. >>> chatas é um adjetivo usado cotidianamente, logo marca uma linguagem coloquial.
B) “(...) que a gente colecionava, (...)”. >>> "a gente" é um termo coloquial, o uso pela linguagem culta seria: nós colecionávamos.
C) “(...) com ela, nos acercamos do outro, (...)”. >>> temos a vírgula, que joga o pronome "nos" para depois do verbo --- acercamo-nos, final -r,s,z elimina e vira no(s),na(s).
D) “(...) dessa forma, nos tornamos senhores delas (...)”. >>> temos a vírgula, que joga o pronome "nos" para depois do verbo --- tornamo-nos, final -r,s,z elimina e vira no(s),na(s).
E) “A palavra faz parte da nossa essência: (...).” >>> não temos nenhuma marca coloquial.
Força, guerreiros(as)!!
Arthur vc é fera
@Arthur Carvalho OBRIGADO PELOS COMENTÁRIOS
@Arthu Carvalho, excelente comentário,no entanto ao se retira os elementos: R,S ou Z acrescenta-se o termo Lo(s) ou La(s)..."No" e "Na" seria para os verbos terminados em "~" ou "m"..ATT
Observações importantes:
Emprego de o, a, os, as
1) Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral, os pronomes: o, a, os, as não se alteram.
Exemplos:
Chame-o agora.
Deixei-a mais tranquila.
2) Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes finais alteram-se para lo, la, los, las.
Exemplos:
(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.
3) Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, ão, õe, õe,), os pronomes o, a, os, as alteram-se para no, na, nos, nas.
Exemplos:
Chamem-no agora.
Põe-na sobre a mesa.
4) As formas combinadas dos pronomes oblíquos: mo, to, lho, no-lo, vo-lo, formas em desuso, podem ocorrer em próclise, ênclise ou mesóclise.
Ex.: Ele mo deu. (Ele me deu o livro)
REFERÊNCIAS:
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