Pacientes com hemorragia por fraturas pélvicas têm uma alta ...
Pacientes com hemorragia por fraturas pélvicas têm uma alta taxa de mortalidade.
A respeito das fraturas pélvicas e suas lesões associadas, assinale a alternativa correta.
Gabarito comentado
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Tema central: Fraturas do anel pélvico e a relação entre mecanismo de trauma e gravidade da hemorragia, segundo a classificação de Young–Burgess (compressão laterolateral – LC; anteroposterior – APC; cisalhamento vertical – VS).
Gabarito: A
Por que a alternativa A está correta: Nas fraturas por compressão lateral (LC), a pelve sofre rotação interna dos hemipelves, reduzindo o volume pélvico e, em geral, diminuindo o risco de hemorragia maciça. Exsanguação é menos comum que nas APC (“livro aberto”). Entretanto, idosos (osteoporose, comorbidades, anticoagulação) podem sangrar significativamente mesmo em LC. Referências: ATLS 10ª/11ª ed.; UpToDate (Pelvic ring fractures); EAST guidelines.
Análise das incorretas:
B) Diz que a compressão anteroposterior (APC) é a mais comum em colisões e causa rotação interna levando o púbis ao trato geniturinário. Está incorreta por dois motivos: (1) APC causa rotação externa dos hemipelves, abrindo a sínfise (“livro aberto”), aumentando o volume pélvico e o sangramento; não rotação interna. (2) Lesões geniturinárias podem ocorrer com APC (diástase importante), porém a justificativa está baseada no mecanismo errado. Ademais, em colisões veiculares, LC é frequente (impacto lateral). Referências: Young–Burgess; ATLS; UpToDate.
C) Atribui fraturas “em livro aberto” a forças de cisalhamento por queda de altura. Falso. “Livro aberto” é típico de APC. Quedas de altura geram, classicamente, ciselhamento vertical (VS), com migração cranial do hemipelvis, grande instabilidade e sangramento importante. Referências: AO/OTA; ATLS.
D) Afirma que, na APC, há rotação interna e “esgarçamento” posterior levando a hemorragias graves. A gravidade hemorrágica na APC decorre de rotação externa e possível ruptura ligamentar anterior e posterior (APC II/III), com aumento do espaço pélvico. O termo “rotação interna” invalida a alternativa. Referências: ATLS; EAST.
Dicas para a prova (mnemônicas úteis):
- LC: Lateral → Lock-in (rotação interna) → volume ↓ → hemorragia grave menos comum (exceção: idosos).
- APC: AnteroPosterior → Abre a pelve (“livro aberto”) → rotação externa → volume ↑ → risco de exsanguação.
- VS (queda de altura): cisalhamento vertical → instabilidade marcada e sangramento intenso.
Abordagem clínica essencial (ATLS/EAST): suspeita em trauma de alta energia com dor pélvica/instabilidade e hipotensão; RX AP da pelve e FAST; TC contrastada quando estável. Conduta inicial: binder pélvico precoce, reposição volêmica, hemostasia por embolização arterial (sangramento arterial) e/ou packing pré-peritoneal (venoso), conforme disponibilidade. Em suspeita de lesão uretral: uretrograma retrógrado antes de sonda.
Fontes: ATLS 10ª/11ª ed.; UpToDate – Pelvic ring fractures: evaluation and management; EAST Practice Management Guidelines; AO/OTA Fracture and Dislocation Classification.
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