Pacientes com hemorragia por fraturas pélvicas têm uma alta ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2592661 Medicina

Pacientes com hemorragia por fraturas pélvicas têm uma alta taxa de mortalidade.

A respeito das fraturas pélvicas e suas lesões associadas, assinale a alternativa correta.

Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Fraturas do anel pélvico e a relação entre mecanismo de trauma e gravidade da hemorragia, segundo a classificação de Young–Burgess (compressão laterolateral – LC; anteroposterior – APC; cisalhamento vertical – VS).

Gabarito: A

Por que a alternativa A está correta: Nas fraturas por compressão lateral (LC), a pelve sofre rotação interna dos hemipelves, reduzindo o volume pélvico e, em geral, diminuindo o risco de hemorragia maciça. Exsanguação é menos comum que nas APC (“livro aberto”). Entretanto, idosos (osteoporose, comorbidades, anticoagulação) podem sangrar significativamente mesmo em LC. Referências: ATLS 10ª/11ª ed.; UpToDate (Pelvic ring fractures); EAST guidelines.

Análise das incorretas:

B) Diz que a compressão anteroposterior (APC) é a mais comum em colisões e causa rotação interna levando o púbis ao trato geniturinário. Está incorreta por dois motivos: (1) APC causa rotação externa dos hemipelves, abrindo a sínfise (“livro aberto”), aumentando o volume pélvico e o sangramento; não rotação interna. (2) Lesões geniturinárias podem ocorrer com APC (diástase importante), porém a justificativa está baseada no mecanismo errado. Ademais, em colisões veiculares, LC é frequente (impacto lateral). Referências: Young–Burgess; ATLS; UpToDate.

C) Atribui fraturas “em livro aberto” a forças de cisalhamento por queda de altura. Falso. “Livro aberto” é típico de APC. Quedas de altura geram, classicamente, ciselhamento vertical (VS), com migração cranial do hemipelvis, grande instabilidade e sangramento importante. Referências: AO/OTA; ATLS.

D) Afirma que, na APC, há rotação interna e “esgarçamento” posterior levando a hemorragias graves. A gravidade hemorrágica na APC decorre de rotação externa e possível ruptura ligamentar anterior e posterior (APC II/III), com aumento do espaço pélvico. O termo “rotação interna” invalida a alternativa. Referências: ATLS; EAST.

Dicas para a prova (mnemônicas úteis):

- LC: Lateral → Lock-in (rotação interna) → volume → hemorragia grave menos comum (exceção: idosos).

- APC: AnteroPosterior → Abre a pelve (“livro aberto”) → rotação externa → volume → risco de exsanguação.

- VS (queda de altura): cisalhamento vertical → instabilidade marcada e sangramento intenso.

Abordagem clínica essencial (ATLS/EAST): suspeita em trauma de alta energia com dor pélvica/instabilidade e hipotensão; RX AP da pelve e FAST; TC contrastada quando estável. Conduta inicial: binder pélvico precoce, reposição volêmica, hemostasia por embolização arterial (sangramento arterial) e/ou packing pré-peritoneal (venoso), conforme disponibilidade. Em suspeita de lesão uretral: uretrograma retrógrado antes de sonda.

Fontes: ATLS 10ª/11ª ed.; UpToDate – Pelvic ring fractures: evaluation and management; EAST Practice Management Guidelines; AO/OTA Fracture and Dislocation Classification.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo