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Q2094727 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.

Em termos gerais, parece haver dois métodos para reunir forças de combate – para convencer ou obrigar com sucesso coleções de homens a se envolverem no empreendimento violento, profano, sacrificial, incerto, masoquista e essencialmente absurdo conhecido como guerra. Os dois métodos levam a modos de guerrear distintos, e a distinção pode ser importante.

Intuitivamente, poderia parecer que o método mais fácil (e mais barato) para recrutar combatentes é alistar indivíduos que se deleitam com violência e a adotam rotineiramente, ou que a empregam para se enriquecerem ou as duas coisas. Na vida civil, temos um nome para essas pessoas – criminosos... Os conflitos violentos em que pessoas desse tipo são maioria podem ser chamados de guerras criminais, uma forma em que os combatentes são induzidos a causar violência primeiramente pelo divertimento e pelo proveito material que tiram da experiência.

Os exércitos de criminosos parecem surgir por dois processos. Às vezes, os criminosos – assaltantes, bandidos, aventureiros, sequestradores de cargas, vândalos, arruaceiros, salteadores, piratas, gangsters, indivíduos fora da lei – se organizam ou se juntam em gangues, bando ou máfias. Quando essas organizações se tornam suficientemente grandes, podem ficar parecidas com verdadeiros exércitos e agir praticamente da mesma forma como estes o fariam.

Alternativamente, os exércitos criminosos podem ser formados quando um governante precisa de combatentes para levar a termo uma guerra e conclui que empregar ou recrutar criminosos e bandidos é o método mais eficaz para conseguir isso. Neste caso, os criminosos e bandidos agem essencialmente como mercenários. 

Acontece, porém, que criminosos e bandidos tendem a ser guerreiros indesejáveis. Para começar, são frequentemente difíceis de controlar. São desordeiros, indisciplinados, desobedientes e rebeldes, cometendo frequentemente, em serviço ou fora dele, crimes não autorizados que podem ser prejudiciais ou mesmo deletérios para a ação militar.

O mais importante é que criminosos tendem a ser pouco dispostos a resistir e combater quando as situações se tornam perigosas, e muitas vezes simplesmente desertam, quando há uma oportunidade que coincide com seus caprichos. O crime comum, afinal de contas, faz vítimas entre os fracos – velhinhas e não atletas sarados – e criminosos com frequência mostram ser executores prontos e eficientes de pessoas indefesas. Mas quando aparecem os guardas, estão sempre prontos para fugir. O lema para o criminoso, afinal, não é uma variante de “Sempre fiéis”, “Um por todos e todos por um”, “Dever, honra, pátria”, “Banzai” ou “Lembrem-se de Pearl Harbour”, mas “Pega a grana e dá no pé” ...

Esses problemas com o emprego de criminosos como combatentes levaram a esforços para recrutar pessoas comuns – pessoas que, à diferença dos criminosos e bandidos, não cometem violências em nenhum outro momento da vida.

O resultado tem sido o desenvolvimento de um guerrear disciplinado, no qual os homens se infligem a violência em geral não por diversão e interesse, mas porque seu treinamento e doutrinação incutiram neles a necessidade de obedecer ordens; de observar um código de honra coerentemente orientado e cuidadosamente restritivo; de buscar a glória e a reputação em combate; de amar, honrar ou temer seus oficiais; de acreditar numa causa; de temer a vergonha, humilhação e custos da rendição; ou, em particular, de ser leal a e merecer a lealdade de seus companheiros de armas.

(MUELLER, John. Os remanescentes da guerra. In: PINKER, Steven. Guia de escrita: como conceber um texto com clareza, precisão e elegância. São Paulo: Contexto, 2018, p. 233-234).
Com base no terceiro parágrafo do texto acima, escolha a única alternativa incorreta
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Tema central: Esta questão avalia competências de interpretação de texto, análise sintática (sujeito), coesão referencial e pontuação pela norma-padrão do Português. Trata-se de reconhecer sujeitos verbais, funções de vírgula, emprego de pronomes e travessões em um trecho específico do texto.

Justificativa da alternativa B (incorreta):
A alternativa B afirma que o sujeito dos verbos “organizam” e “juntam” é “gangues, bando ou máfias”. Isso está errado. No trecho: “Às vezes, os criminosos – assaltantes, bandidos, aventureiros, sequestradores de cargas, vândalos, arruaceiros, salteadores, piratas, gangsters, indivíduos fora da lei – se organizam ou se juntam em gangues, bando ou máfias...”, o sujeito dos dois verbos é “os criminosos” (núcleo do sujeito), não as gangues, bando ou máfias, que são objetos da preposição.

Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), o sujeito é o termo sobre o qual se declara algo. Os verbos “se organizam” e “se juntam” indicam a ação praticada pelos “criminosos”. Portanto, a alternativa B é a INCORRETA.

Análise das alternativas corretas:

A) Correta. Os travessões isolam um aposto (“assaltantes, bandidos...”); por norma, podem ser substituídos por vírgulas ou parênteses (Bechara; Manual de Redação da Presidência).

C) Correta. A vírgula separa a oração coordenada da principal: “Quando essas organizações se tornam suficientemente grandes, podem ficar parecidas com verdadeiros exércitos...”. Neste caso, a vírgula é obrigatória para separar uma oração subordinada adverbial anteposta (Bechara).

D) Correta. O pronome demonstrativo “estes” retoma “verdadeiros exércitos”, funcionando como elemento de coesão referencial (Cunha & Cintra).

E) Correta. O sujeito do primeiro período é realmente “Os exércitos de criminosos”. Identificar o núcleo do sujeito é essencial para interpretar corretamente a frase.

Dica de prova: Sempre isole o sujeito e o verbo para reconhecer a quem pertence a ação, e observe quem pratica o verbo. Leia com atenção para evitar interferência de termos intercalados por vírgulas, travessões ou parênteses – típicas pegadinhas em provas.

Conclusão:
Alternativa B é INCORRETA, pois identifica erroneamente o sujeito.

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Comentários

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O sujeito dos verbos “organizam” e “juntam”, segundo período, é os criminosos.

Só eu achei que a letra A tmbém está incorreta?

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