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Q4115238 Medicina

Homem, etilista, 63 anos, portador de hepatopatia crônica, é admitido em pronto-socorro com volumosa hematêmese. Acompanhante relata quadro semelhante no passado devido a varizes de esôfago. Ao exame: PA 85 x 50 mmHg, FC 118 bom, FR 22 irpm, SatO2 91%, Glasgow de 9, confuso, sonolento, icterícia 2+/4+, hipocorado 4+/4+, desidratado 2+/4+, apresenta abdômen ascítico e com circulação colateral. Assinale a conduta imediata para tal paciente. 

Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A questão é decidida pela prioridade do ABC no choque hemorrágico: diante de hematêmese volumosa com PA 85 x 50 mmHg, FC 118 bpm e rebaixamento do nível de consciência, a conduta imediata é oxigenação, monitorização, acessos venosos calibrosos, reposição volêmica inicial e coleta de exames antes da terapêutica endoscópica.

Tema central: Abordagem inicial no choque hemorrágico
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque antecipa a endoscopia como primeira medida em um paciente ainda não estabilizado. Em choque hemorrágico por hematêmese volumosa, a prioridade técnica é suporte ABC e ressuscitação inicial; a endoscopia é necessária, mas não vem antes da estabilização hemodinâmica mínima.
B
Errada
Está errada por dois motivos médicos concretos: omite a etapa prioritária de estabilização inicial e fixa transfusão de dois concentrados de hemácias de forma padronizada, sem individualização. Na abordagem imediata, monitorização, oxigenação, acessos venosos e reposição inicial precedem o procedimento, e a hemotransfusão não é definida tecnicamente como 'dois concentrados' para todo paciente desse cenário.
C
Errada
Está errada no contexto da questão porque, embora o Glasgow 9 torne plausível considerar proteção de via aérea, a alternativa não contempla a ressuscitação circulatória inicial básica do choque hemorrágico. Entre as opções, a conduta mais imediata e obrigatória é a estabilização global com oxigênio, monitorização, acessos venosos e reposição inicial, e não a intubação como resposta isolada associada à endoscopia.
D
Certa
A alternativa D descreve a etapa imediatamente necessária no atendimento ao paciente crítico com hemorragia digestiva alta instável: suporte ventilatório e circulatório, monitorização contínua, obtenção de dois acessos venosos de grosso calibre, reposição venosa inicial e coleta de exames. Isso está correto porque o doente chega com sinais de choque hemorrágico provável, e o controle definitivo do sangramento não antecede a ressuscitação inicial.
Pegadinha da questão
A banca mistura dois gatilhos fortes — história de varizes esofágicas e Glasgow 9 — para induzir o candidato a pular a etapa inicial de ressuscitação e escolher direto endoscopia ou intubação, quando o critério decisivo cobrado é a prioridade da estabilização no choque hemorrágico.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver hematêmese com hipotensão e taquicardia, pense primeiro em choque hemorrágico e priorize ABC com suporte hemodinâmico inicial.
  • Não coloque endoscopia como primeira ação isolada em paciente instável; ela faz parte do manejo precoce, mas vem após a ressuscitação inicial.
  • Transfusão em HDA não deve ser presumida como número fixo de bolsas sem integração com a avaliação clínica e a estratégia de ressuscitação.
  • Rebaixamento do nível de consciência pode exigir proteção de via aérea, mas isso não substitui a necessidade simultânea de monitorização, acessos venosos e reposição inicial.

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