Homem, 62 anos de idade, submetido a prostatectomia radical ...

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Q4239011 Medicina
Homem, 62 anos de idade, submetido a prostatectomia radical robótica há 2 anos, desenvolve uma hérnia inguinal indireta à direita, sintomática. Qual a abordagem cirúrgica preferencial para o reparo?
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O achado que define a resposta é a prostatectomia radical robótica prévia, que torna o plano pré-peritoneal/posterior cicatricial e distorcido, desfavorecendo TEP e TAPP e favorecendo a via aberta anterior com tela.

Tema central: Escolha da via de reparo da hérnia inguinal após prostatectomia radical
Análise das alternativas
A
Certa
A técnica de Lichtenstein é um reparo aberto anterior com tela e, neste cenário, tem a vantagem decisiva de evitar a dissecção do espaço pré-peritoneal previamente manipulado pela prostatectomia radical. Como a cirurgia pélvica prévia torna o plano posterior mais cicatricial e tecnicamente desfavorável, a via anterior aberta passa a ser a abordagem preferencial para a hérnia inguinal primária sintomática nesse contexto.
B
Errada
O TAPP é incorreto como preferência porque depende de acesso transabdominal seguido de dissecção do plano pré-peritoneal/posterior. Após prostatectomia radical, esse campo pode estar fibrosado, o que aumenta dificuldade técnica e risco de lesão visceral, vascular ou urinária. O erro da alternativa é ignorar que a cirurgia pélvica prévia desfavorece justamente essa via posterior laparoendoscópica.
C
Errada
O TEP também é incorreto como abordagem preferencial porque utiliza o espaço extraperitoneal/pré-peritoneal, que é o mesmo plano anatomicamente comprometido pela prostatectomia radical. Não entrar na cavidade abdominal não resolve o problema decisivo da questão, que é a fibrose e distorção do espaço posterior previamente operado.
D
Errada
A técnica de Shouldice não é a preferencial porque é um reparo tecidual sem tela, enquanto para hérnia inguinal sintomática em adulto o reparo com tela é o padrão, salvo situações selecionadas não descritas no caso. Além disso, a questão não pedia apenas evitar laparoscopia; pedia a melhor via nesse contexto, e a escolha padrão é a aberta anterior com tela, representada por Lichtenstein.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de marcar laparoscopia como melhor opção para hérnia inguinal. Aqui, porém, a palavra que muda a resposta é prostatectomia radical prévia: tanto TAPP quanto TEP usam o plano posterior/pré-peritoneal já operado. Outra confusão possível é achar que qualquer técnica aberta serve, sem distinguir Lichtenstein de Shouldice.
Dica para questões semelhantes
  • Em hérnia inguinal, procure primeiro se houve cirurgia pélvica prévia; esse antecedente pode inverter a preferência habitual pela via laparoendoscópica.
  • Se o plano posterior/pré-peritoneal já foi violado, favoreça a via aberta anterior para evitar dissecção em campo cicatricial.
  • Não coloque TAPP e TEP em lados opostos nesse cenário: embora diferentes no acesso, ambas dependem do plano posterior comprometido.
  • Quando houver opção entre técnica aberta com tela e reparo tecidual sem tela em adulto com hérnia sintomática, a com tela tende a ser a escolha padrão, salvo exceções não descritas.

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