Homem, 72 anos de idade, com histórico de uso crônico de an...

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Q4239009 Medicina
Homem, 72 anos de idade, com histórico de uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides para osteoartrose, é admitido no PS com melena e hematêmese. O exame físico inicial revela um paciente pálido, com PA de 90×60 mmHg e FC de 125 bpm. A hemoglobina inicial é de 6,8 g/dL. Ele recebe ressuscitação volêmica e transfusão de 2 concentrados de hemácias. Uma endoscopia digestiva alta é realizada, identificando uma úlcera duodenal de 1,5 cm com sangramento ativo (Forrest Ia). O sangramento é controlado com injeção de adrenalina e 3 clipes hemostáticos. No entanto, 12 horas após o procedimento, o paciente apresenta novo episódio de hematêmese e instabilidade hemodinâmica com necessidade de droga vasoativa em dose alta e PA de 80×50 mmHg. Uma segunda endoscopia falha em controlar o sangramento. Qual é a conduta mais apropriada de imediato?
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é a falha de hemostasia endoscópica associada a choque hemorrágico refratário: a úlcera duodenal Forrest Ia ressangrou 12 horas após o tratamento inicial, a segunda endoscopia não controlou o sangramento e o paciente evoluiu com PA 80x50 mmHg e necessidade de droga vasoativa em alta dose; nesse cenário, a conduta imediata é hemostasia cirúrgica definitiva, classicamente por laparotomia com duodenotomia e ligadura do vaso sangrante.

Tema central: HDA ulcerosa refratária
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A descreve a operação de urgência apropriada para úlcera duodenal hemorrágica refratária: laparotomia para acesso rápido em paciente instável, duodenotomia para expor o foco, ligadura/hemostasia direta do vaso sangrante, sutura da úlcera e piloroplastia. Isso corresponde ao cenário de sangramento arterial ativo de alto risco (Forrest Ia), ressangramento precoce, nova falha endoscópica e instabilidade hemodinâmica grave. Em úlcera duodenal, o vaso envolvido costuma ser ramo da artéria gastroduodenal, o que justifica o controle local direto por via cirúrgica.
B
Errada
Está errada por dois motivos concretos. Primeiro, a alternativa aponta embolização da artéria gástrica esquerda, que não é o vaso principal relacionado ao sangramento de úlcera duodenal; pela topografia, o sangramento costuma se relacionar à artéria gastroduodenal ou seus ramos. Segundo, o enunciado descreve choque grave com necessidade de vasopressor em alta dose após duas falhas endoscópicas, o que exige controle definitivo imediato; entre as opções oferecidas, a cirurgia aberta é a conduta mais apropriada.
C
Errada
Está errada porque a via laparoscópica não é a preferencial em hemorragia digestiva alta com instabilidade extrema, sangramento não controlado e necessidade de controle rápido e amplo acesso ao duodeno proximal. Além disso, a proposta de apenas ligar a artéria gastroduodenal por laparoscopia não corresponde ao procedimento clássico de hemostasia local da úlcera duodenal sangrante, que envolve duodenotomia e controle direto do leito ulceroso.
D
Errada
Está errada porque propõe uma ressecção maior do que o necessário para o problema imediato. Na úlcera duodenal hemorrágica refratária, o objetivo é hemostasia rápida do vaso sangrante com tratamento local da úlcera, e não gastrectomia parcial com reconstrução. Esse procedimento aumenta a agressividade operatória sem vantagem imediata no cenário descrito.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre qualquer opção após falha endoscópica e a conduta correta no contexto real do caso: não basta saber que houve falha endoscópica; o decisivo é que houve nova falha associada a choque refratário, o que desloca a decisão para cirurgia aberta imediata. Outra armadilha é aceitar embolização de vaso anatomicamente inadequado para úlcera duodenal.
Dica para questões semelhantes
  • Em HDA por úlcera, não decida só pelo diagnóstico; decida pela combinação entre classificação do sangramento, resposta ao tratamento endoscópico e estado hemodinâmico.
  • Forrest Ia significa sangramento arterial ativo e alto risco de persistência ou recorrência hemorrágica.
  • Se houver ressangramento, nova falha endoscópica e choque com vasopressor, pense em hemostasia cirúrgica imediata.
  • Na úlcera duodenal sangrante, confronte sempre a alternativa com a anatomia do vaso provável: gastroduodenal/ramos, não artéria gástrica esquerda.

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