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Q3106621 Português
O peso do estereótipo


      No que se refere aos distúrbios da alimentação podemos dividir a humanidade em dois grandes grupos, aquelas que comem de menos e aqueles que comem demais.

      Os primeiros compreendem aqueles para os quais falta comida – os habitantes do Terceiro Mundo – e aqueles que, mesmo dispondo de alimento, recusam-no por razões emocionais. A abundância de comida e a voracidade, por sua vez, geraram o problema da obesidade, que, mesmo em países como o Brasil, é hoje uma questão de saúde pública.

     A extrema obesidade está associada a diabetes, hipertensão arterial, doença cardiovascular, problemas articulares. E resulta numa imagem corporal que não é das mais agradáveis – ao contrário do que acontecia no passado, quando a maior ameaça era representada pela desnutrição.

     [...] O corpo transformou-se num objeto a ser exibido. E isso resulta num conflito: de um lado está a indústria da alimentação, com toda a sua gigantesca propaganda; assim, ninguém mais vai ao cinema sem levar junto um contêiner com pipocas (como se a pessoa não pudesse passar duas horas sem comer). De outro lado, temos o estigma representado pela obesidade. O resultado é um conflito psíquico que se manifesta de várias maneiras, mais notavelmente pela anorexia nervosa.

    [...] Até os anos 50 a anorexia nervosa era pouco mais que uma curiosidade médica. Mas em meados dos anos 70 um estudo mostrava que cerca de 10% das adolescentes suecas eram anoréxicas. Em 1980 os transtornos psicológicos da alimentação já eram um dos problemas mais frequentes entre as jovens universitárias americanas. O gênero, no caso, é fundamental porque anorexia é muito mais frequente entre moças. Também é importante a classe social: a classe média é mais propensa a ela que os pobres.

     [...] Em termos de peso corporal, como em relação à carga emocional, o ideal não é nem a falta nem o excesso. O ideal é o equilíbrio, mas para isso a sociedade precisa se conscientizar dos problemas representados pelos estereótipos que cria.


Revista Bem Viver – Mente & Cérebro, ano 13, n.152. Adaptado.
Ainda analisando o excerto “O corpo transformou-se num objeto a ser exibido”, a partícula “se” nesse contexto trata-se de: 
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Comentário da Questão – Funções do “se”

Tema central: A questão aborda o uso e a função morfossintática da palavra “se”, pedindo ao candidato que reconheça seu valor em uma estrutura verbal, ponto de suma importância na norma-padrão da Língua Portuguesa e recorrente em provas de concursos.

Na frase “O corpo transformou-se num objeto a ser exibido”, devemos compreender como o se atua na estrutura do verbo.

Regra essencial: O pronome “se” é reflexivo quando indica que o sujeito (O corpo) pratica e sofre a ação do verbo ao mesmo tempo. Isso significa que o agente e o paciente são o mesmo elemento na oração, como exemplificado em “Ela se feriu” (ela feriu a si mesma). Segundo Moderna Gramática Portuguesa (Evanildo Bechara), essa é a essência da voz reflexiva.

Alternativa correta – D: Pronome reflexivo, pois o sujeito pratica a ação e sofre ao mesmo tempo. O uso do “se” é obrigatório para indicar essa relação. A estrutura “transformou-se” mostra claramente que o corpo realizou e foi alvo da transformação.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

A) Conjunção integrante: Não se trata de uma conjunção, pois o “se” não está introduzindo oração subordinada substantiva.
B) Partícula de realce: Incorreta, pois o uso do “se” é essencial (não facultativo) nesse contexto; sem ele, a frase muda de sentido.
C) Índice de indeterminação do sujeito: Errada. O sujeito aqui (“O corpo”) é expresso e determinado; não há indeterminação.
E) Conjunção coordenativa condicional: O “se” pode ter valor condicional (“Se chover, não saio”), mas aqui não expressa condição, apenas reflexividade.

Estratégia para provas: Quando vir verbos pronominais como “transformou-se”, “feriu-se” ou “engana-se” com sujeito claro, desconfie da função reflexiva; observe se o sujeito sofre a própria ação.

Dica de referência: O estudo das vozes verbais está em gramáticas consagradas, como as de Bechara e Cunha & Cintra. O correto reconhecimento da função do “se” evita erros em questões complexas de análise sintática.

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Na língua portuguesa, o pronome "se" é reflexivo quando o sujeito pratica a ação sobre si mesmo. O "se" também pode ser reflexivo recíproco, quando um elemento pratica a ação sobre outro, e o outro praticar a ação sobre o "um". 

Os verbos reflexivos são aqueles que expressam ações praticadas sobre a própria pessoa, ou seja, quem faz também recebe a ação. Eles são sempre acompanhados de pronomes reflexivos. 

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