As normas de concordância verbal estão plenamente observada...

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Q753623 Português

Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte.

Violência e naturalidade

Há na ficção do grande Machado de Assis páginas tão admiráveis quanto duras − ou mesmo cínicas, preferem alguns. Lembremos este trecho famoso do romance Quincas Borba:

    "− Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência de outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria e ousadia da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.”

    Aqui, Machado leva ao extremo a tese que chancela a lei do mais forte, a competitividade brutal que esmaga o perdedor. Parece concordar com ela, apesar do tom extremamente irônico, e talvez concorde mesmo − mas a caprichosa naturalidade com que o nosso escritor aborda as violências mais radicais faz desconfiar que ele também nos esteja provocando. Machado sabe que uma das formas mais eficazes de mostrar a barbárie está em naturalizá-la. É uma operação sutil, em que ele prefere apresentar os atos mais selvagens como se fizessem parte da plena rotina. Os leitores mais sensíveis acusarão o golpe, e terão que enfrentar a pergunta tremenda: se tanta violência decorre com tamanha naturalidade, que sentido terá aquilo que os homens vêm chamando de civilização?

As normas de concordância verbal estão plenamente observadas em:
Alternativas

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Tema central: Concordância verbal. Trata-se da adaptação do verbo ao sujeito em número (singular/plural) e pessoa, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa, ponto essencial em provas de concursos.

Alternativa correta: E

“Não restariam mais ao infeliz vencido, na lógica explícita do texto machadiano, aspirações às batatas que deveriam nutri-lo.”

O sujeito do verbo “restar” é “aspirações às batatas que deveriam nutri-lo” (plural). O verbo “restariam” adequa-se corretamente a esse sujeito plural. Esta concordância está em acordo com o que orientam Bechara e Cunha & Cintra — a regra manda que o verbo concorde com o núcleo do sujeito: Sujeito plural, verbo no plural.

Análise das alternativas incorretas:

A) “A supressão de um dos lados [...] acambam [...]”

Erro de concordância: O sujeito é “a supressão” (singular). O correto seria: acaba.

B) “não cabem a elas imaginar [...]”

O sujeito é oracional (“imaginar [...]”), ou seja, singular. Correto: não cabe a elas imaginar...

C) “seguem-se o hino triunfal e implacável [...]”

Sujeito composto (“o hino triunfal e implacável”), mas está posposto ao verbo. Neste caso, o verbo deve concordar no plural: seguem-se (e não “segue-se”).

D) “avulta, no universo machadiano, os argumentos [...]”

Erro de concordância: O sujeito “os argumentos” está no plural, então o verbo deveria ser: avultam.

Dica estratégica para concursos:

Leia sempre identificando o sujeito da oração (mesmo que esteja após o verbo ou seja longo/composto). Sujeitos oracionais, coletivos e pospostos são “pegadinhas” clássicas. Duvide de concordâncias automáticas.

Referências: Bechara, E. (Moderna Gramática Portuguesa); Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo).

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Comentários

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GABARITO LETRA E

 

 

 a) Errada - A supressão de um dos lados, entre os que disputam as batatas, acaba por consagrar o princípio mesmo da vida natural.

 

 b) Errada - Considerando-se o caso das duas tribos famintas, não cabe a elas imaginar que ambas sairão igualmente satisfeitas da contenda.

 

 c) Errada - Aos contornos mais selvagens das disputas pelas batatas segue-se o hino triunfal e implacável de quem sacia a fome.

 

 d) Errada - Entre as estratégias de intensificação da violência avultam, no universo machadiano, os argumentos utilizados em sua naturalização.

 

 e) Certa - Não restariam mais ao infeliz vencido, na lógica explícita do texto machadiano, aspirações às batatas que deveriam nutri-lo.

 

sempre muito importante identificar a se a frase está na ordem inversa ou direta.

Sempre erro quando vejo crase seguida de palavra no plural. ;\

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