Sobre o câncer de canal anal, é correto afirmar que:

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Q3190438 Medicina
Sobre o câncer de canal anal, é correto afirmar que:
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Tema central: Câncer de canal anal é, na maioria, carcinoma espinocelular relacionado ao HPV. O tratamento costuma ser não cirúrgico inicialmente, com quimiorradioterapia (QRT) visando preservação do esfíncter.

Alternativa correta: D — O esquema de Nigro é o tratamento inicial padrão para câncer de canal anal: radioterapia combinada a 5-fluorouracil (5-FU) e mitomicina C como radiossensibilizantes (capecitabina pode substituir 5-FU). Esse regime alcança altas taxas de resposta completa, controle local e preservação do esfíncter, evitando colostomia em grande parte dos pacientes. Diretrizes NCCN 2024 e ESMO 2022 recomendam QRT como primeira linha para estádios localizados.

Como pensar na prova: Se o tumor é do canal anal, a primeira escolha é QRT (Nigro). Cirurgia (amputação abdominoperineal) fica para falha/persistência após QRT ou recidiva.

Análise das alternativas incorretas

A) “Mais comum em homens” — Falsa. Na população geral, a incidência é maior em mulheres. Embora o risco seja elevado em homens com práticas anorreceptivas e em pessoas com HIV, a epidemiologia global mostra predomínio feminino. (UpToDate; ESMO 2022)

B) “Adenocarcinoma é o subtipo mais comum” — Falsa. O tipo histológico predominante no canal anal é o carcinoma espinocelular (p16/HPV-positivo com frequência). Adenocarcinoma é raro e muitas vezes relacionado à transição retal ou glândulas anais. (Harrison’s; NCCN 2024)

C) “Cirurgia (APR) é o tratamento inicial de escolha” — Falsa. A amputação abdominoperineal não é primeira linha no canal anal. A padrão-ouro é QRT (Nigro), com APR reservada para doença persistente ou recidivada. Exceção: lesões bem diferenciadas da margem anal (não canal) e muito iniciais podem ser excisadas localmente. (NCCN 2024; ESMO 2022)

E) “Com Nigro, ~50% sem recorrência em 8 anos” — Falsa. Os resultados são melhores do que “~50%”: resposta completa ~70–90%, controle local e sobrevida livre de colostomia ~65–75% em 5 anos; controle duradouro frequentemente >60–70%. A cifra “50% em 8 anos” subestima o benefício e não reflete as séries contemporâneas. (NCCN 2024; ESMO 2022; estudos clássicos de Nigro e ensaios RTOG)

Dicas de prova e diagnóstico: suspeitar frente a dor anal, sangramento e lesão vegetante/ulcerada. Confirmar com anoscopia e biópsia; estadiar com RM de pelve e avaliação de linfonodos inguinais (clínica/US/TC; PET-CT quando disponível). Em QRT, reavaliação clínica tardia (até 8–12 semanas ou mais) é crucial antes de indicar cirurgia.

Referências: NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Anal Carcinoma (2024); ESMO Guidelines (2022); UpToDate – Treatment of anal cancer; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: D.

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