Em relação ao câncer de endométrio, é INCORRETO afirmar que:
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Tema central: câncer de endométrio — epidemiologia histológica e manejo cirúrgico/adjuvante. O tipo endometrioide é o mais comum e, no estádio clínico I, o tratamento base é cirúrgico (histerectomia total com salpingooforectomia bilateral), com estadiamento linfonodal preferencialmente por mapeamento do linfonodo sentinela nos casos apropriados.
Alternativa INCORRETA (C) — por quê? Não é correto afirmar que a linfadenectomia pélvica e para-aórtica sistemática seja “padrão” para todos os casos em estádio I. As diretrizes atuais (ESGO/ESTRO/ESP 2021-2023, NCCN 2024) recomendam, para tumores endometrioides aparente estádio I de baixo/intermediário risco, a histerectomia total + salpingooforectomia bilateral com linfonodo sentinela (quando disponível) e não linfadenectomia sistemática. Ensaios como ASTEC e Benedetti Panici mostraram ausência de benefício em sobrevida e maior morbidade com linfadenectomia rotineira. A linfadenectomia ou amostragem para-aórtica é reservada a alto risco (p.ex., alto grau, invasão profunda, histologia não endometrioide) ou quando o sentinela falha.
Pegadinha de prova: palavras como “padrão em todos os casos” costumam tornar a assertiva falsa. Associe “estádio I de baixo risco” a SLN ou mesmo ausência de linfadenectomia, não a dissecção completa.
Análise das demais alternativas
A) Correta. O adenocarcinoma endometrioide corresponde a ~80% dos casos e tem melhor prognóstico quando bem diferenciado e com invasão miometrial limitada. Referências: UpToDate; ESGO/ESTRO/ESP.
B) Correta. Subtipos não endometrioides (seroso, células claras, carcinosarcoma, indiferenciado/dediferenciado) somam ~10–20% e apresentam maior agressividade e risco de disseminação linfonodal/extrauterina, justificando manejo mais intensivo. Referências: NCCN; ESGO/ESTRO/ESP.
D) Correta. A radioterapia externa é indicada em alto risco (p.ex., grau alto, invasão miometrial profunda, LVSI substancial, margens/cervical comprometidas) ou em casos de alto-intermediário risco com LVSI significativa. Para risco intermediário, frequentemente prefere-se braquiterapia vaginal. Referências: ESGO/ESTRO/ESP 2021; NCCN 2024.
E) Correta. A exenteração pélvica pode ser opção em doença localmente avançada/reincidiva central confinada à pelve, especialmente após RT prévia, quando é possível ressecção R0 em pacientes selecionadas. Referências: UpToDate; NCCN.
Como pensar na prova: identifique o risco tumoral (histologia, grau, profundidade, LVSI) para definir a extensão do estadiamento e da adjuvância. “Rotinizar” linfadenectomia em estádio I é o erro clássico.
Fontes úteis: ESGO/ESTRO/ESP Guidelines (2021–2023); NCCN Uterine Neoplasms (2024); UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: C
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