Durante uma consulta de enfermagem na Atenção Básica, um pac...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3987768 Enfermagem
Durante uma consulta de enfermagem na Atenção Básica, um paciente de 58 anos, com diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2 há 6 anos, apresenta glicemia capilar de 248 mg/dL e relata que tem “pulado” doses da medicação por acreditar que se sente bem. Refere também formigamento nos pés e utiliza calçados apertados por “não gostar de sapatos folgados”. Ao revisar o prontuário, o enfermeiro nota que o paciente não comparece às consultas regulares há mais de um ano e não realizou exames de rotina recentes (HbA1c, função renal, avaliação dos pés). Diante dessa situação, qual deve ser a conduta mais adequada da enfermagem, conforme preconizado para o manejo do DM2 na Atenção Básica?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que resolve a questão é o papel da enfermagem na APS no manejo longitudinal do DM2: diante de hiperglicemia, baixa adesão medicamentosa, ausência de seguimento, formigamento nos pés e uso de calçado apertado, a conduta correta é ativa e preventiva, com educação para adesão, avaliação dos pés, orientação de autocuidado, organização de retorno e solicitação/acompanhamento de exames conforme protocolos locais, e não omissão, espera por especialista ou ajuste farmacológico independente.

Tema central: Manejo de DM2 na APS
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque posterga a avaliação dos pés até aparecer lesão e nega uma atribuição que faz parte do cuidado de enfermagem no DM2. Neste caso, formigamento nos pés sugere neuropatia periférica e o uso de calçados apertados aumenta risco de trauma e ulceração; por isso, a avaliação preventiva dos pés e a orientação de autocuidado são medidas imediatas, não condicionadas ao surgimento de feridas.
B
Errada
Está errada porque substitui o cuidado da APS por encaminhamento e ainda suspende indevidamente a atuação da enfermagem. O caso descreve condição crônica descompensada sem dado de emergência; a APS deve coordenar o cuidado, monitorar adesão, prevenir complicações, avaliar os pés e organizar seguimento. A enfermagem não precisa aguardar prescrição médica para ações educativas, avaliação clínica dentro de sua competência e acompanhamento programado.
C
Certa
A alternativa C é a única que reúne os componentes tecnicamente esperados para esse cenário: enfrenta a causa imediata do descontrole crônico, que é a baixa adesão; responde ao risco de complicação nos pés, já sugerido por parestesia e calçado inadequado, com avaliação e orientação preventiva; retoma o cuidado longitudinal perdido, ao programar retorno e acompanhar exames de rotina; e faz isso dentro das atribuições da enfermagem na APS, com plano de cuidado compartilhado incluindo alimentação, atividade física e monitoramento. Esse conjunto corresponde ao manejo integral do DM2 na Atenção Básica.
D
Errada
Está errada porque atribui ao enfermeiro manejo farmacológico independente com ajuste e substituição de hipoglicemiantes como regra geral. A base afirma que isso extrapola a competência usual e que eventual prescrição ou renovação depende de protocolos institucionais e respaldo normativo local. Além disso, a glicemia capilar isolada de 248 mg/dL não autoriza concluir, por si só, necessidade de troca imediata do esquema, sobretudo quando o enunciado destaca baixa adesão e ausência de seguimento.
E
Errada
Está errada porque reduz a atuação da enfermagem a registro burocrático e transfere exclusivamente ao médico a investigação de sintomas nos pés e complicações crônicas. No DM2 na APS, a consulta de enfermagem inclui educação em saúde, avaliação dos pés, prevenção de complicações, acompanhamento de exames e programação de retorno. Limitar-se a registrar, sem avaliar nem orientar, contraria o cuidado compartilhado e longitudinal.
Pegadinha da questão
A banca tenta induzir duas confusões: tomar a glicemia capilar isolada como motivo para trocar medicação imediatamente e tratar a avaliação dos pés como ato exclusivo do médico. O ponto decisivo era reconhecer que o problema central é descontrole crônico com risco de neuropatia e lesão nos pés, exigindo atuação preventiva e longitudinal da enfermagem na APS.
Dica para questões semelhantes
  • Em DM2 na APS, valorize o conjunto: adesão, rastreio de complicações, avaliação dos pés, exames de rotina e seguimento programado.
  • Parestesia nos pés e calçado inadequado mudam a prioridade para prevenção de lesão e exame dos pés, mesmo sem úlcera visível.
  • Encaminhamento especializado não substitui educação, avaliação e coordenação do cuidado pela APS.
  • Desconfie de alternativas que atribuem ao enfermeiro troca de hipoglicemiante de forma independente sem citar protocolo institucional.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo