Ali tudo foi, nada é. Não se conjugam verbos no presente. Tu...
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Q3997054
Sociologia
Ali tudo foi, nada é. Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito. Umas tantas
cidades moribundas arrastam um viver decrepito, gasto em chorar na mesquinhez de hoje
as saudosas grandezas de dantes. Pelas ruas ermas, onde o transeunte é raro, não
matracoleja sequer uma carroça; de há muito, em matérias de rodas, se voltou aos rodízios
desse rechinante símbolo do viver colonial – o carro de boi. Erguem-se por ali soberbos
casarões apalaçados, de dois e três andares, sólidos como fortalezas, tudo pedra, cal e
cabiúna, o sangue, a vida para sempre refugiram. Vivem dentro, mesquinhamente,
vergônteas mortiças de famílias fidalgas, de boa prosápia entroncada na nobiliarquia
lusitana. Pelos salões vazios, cujos frisos dourados se recobrem da patina dos anos e cujo
estuque, lagarteado de fendas, esboroa à força de goteiras, paira o bafio da morte. Há nas
paredes quadros antigos, crayons, figurando efigies de capitães-mores de barba em colar.
Há sobre os aparadores Luiz XV brônzeos candelabros de dezoito velas, esverdecidos de
azinhavre. Mas nem se acendem as velas, nem se guardam os nomes dos enquadrados –
e por tudo se agruma o bolor rancido da velhice. São os palácios mortos da cidade morta.
(LOBATO, Monteiro. Cidades Mortas. São Paulo: editora brasiliense, 1972, p. 3)
O trecho de Monteiro Lobato aponta para alguns dilemas desse fenômeno das cidades. A questão urbana atravessa inúmeras abordagens sociológicas. Quanto ao tema da cidade, é CORRETO afirmar:
O trecho de Monteiro Lobato aponta para alguns dilemas desse fenômeno das cidades. A questão urbana atravessa inúmeras abordagens sociológicas. Quanto ao tema da cidade, é CORRETO afirmar: