Uma cadela poodle, fêmea, 8 anos de idade, castrada, foi le...
Com base nessa situação hipotética, assinale a opção correta.
Gabarito comentado
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Tema central: quadro típico de diabetes mellitus canino não cetótico, com poliúria/polidipsia, polifagia e perda de peso, associado a hiperglicemia marcante (420 mg/dL) e cetonemia baixa (0,2 mmol/L). Em cadelas idosas, o tratamento padrão é insulina de ação intermediária com dieta controlada.
Alternativa correta: B
Justificativa: Em cães, as diretrizes (AAHA Diabetes Management Guidelines, 2018; Feldman & Nelson, Canine and Feline Endocrinology) recomendam iniciar NPH (ou porcine lente) a cada 12 h, associada a dieta específica para diabéticos fracionada em duas refeições sincronizadas com as aplicações. O monitoramento inclui curvas glicêmicas após 7–14 dias e após ajustes, avaliação de sinais clínicos, peso, urina (glicosúria/cetonúria) e frutosamina em 2–3 semanas. O diagnóstico definitivo em cães baseia-se em hiperglicemia persistente + glicosúria em contexto clínico compatível, excluindo hiperglicemia transitória.
Estratégia de prova: identifique a tríade PU/PD + polifagia + perda de peso com glicose muito elevada. Lembre que em cães o padrão é insulina BID e refeições programadas. Termos como “glargina 1x/dia” e “hipoglicemiantes orais” costumam remeter a gatos/humanos (pegadinha). Alopecia simétrica/abdome abaulado sugerem hiperadrenocorticismo, mas não mudam a conduta inicial do DM.
Análise das alternativas incorretas
A) Glargina (Lantus) 1x/dia não é padrão em cães (resposta imprevisível; geralmente requer BID). Dieta ad libitum dificulta o controle. Diagnóstico não se baseia em hiperglicemia isolada; requer persistência e glicosúria. Diretrizes AAHA/WSAVA desaconselham ad libitum em DM canino.
C) Hipoglicemiantes orais não são tratamento de escolha em cães (baixa eficácia; a maioria precisa de insulina desde o diagnóstico). “Glicemia de jejum” isolada é insuficiente para diagnóstico; é necessário correlacionar com glicosúria e sinais clínicos.
D) Hiperadrenocorticismo pode cursar com alopecia e abdome abaulado, mas iniciar trilostano sem confirmação (LDDST/ACTH estímulo) e antes de controlar a hiperglicemia de 420 mg/dL é inadequado. Prioriza-se estabilizar o DM e, se necessário, investigar HAC posteriormente.
E) Não há evidência de resistência insulínica sem sequer ter iniciado insulina. Tratar com mitotano previamente é incorreto e potencialmente arriscado. A avaliação de HAC, quando indicada, vem após início e avaliação do controle glicêmico.
Exames úteis no seguimento: urinálise (glicosúria/cetonúria), frutosamina, curva glicêmica, hemograma/bioquímica (hepatopatia associada), ultrassom se suspeita de comorbidades. Cetonemia baixa afasta DKA, permitindo manejo ambulatorial.
Referências: AAHA Diabetes Management Guidelines for Dogs and Cats (2018); Feldman & Nelson, Canine and Feline Endocrinology; WSAVA Global Guidelines.
Gabarito: B
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