Homem de 45 anos, admitido na UTI após uma cirurgia abdomina...

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Q3192639 Medicina
Homem de 45 anos, admitido na UTI após uma cirurgia abdominal complexa, apresenta dor significativa e requer manejo adequado da analgesia. Considerando as diretrizes para analgesia em UTI, qual das seguintes alternativas é a mais correta sobre a escolha e o manejo de analgésicos para pacientes críticos? 
Alternativas

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Tema central: manejo da analgesia em UTI no pós-operatório, seguindo diretrizes atuais (SCCM PADIS 2018/atualizações; UpToDate). O foco é controle eficaz da dor com redução de eventos adversos, preservando desmame ventilatório e vigilância neurológica.

Alternativa correta: BAnalgesia multimodal é recomendada: combinar opioides com não opioides (paracetamol, AINEs com cautela), e/ou adjuvantes (cetamina em baixas doses, lidocaína IV em contextos perioperatórios, técnicas regionais). Benefícios: melhor controle da dor, poupança de opioides, menos delírio, íleo e depressão respiratória, e facilita desmame da ventilação. Evidência: SCCM PADIS (2018) recomenda abordagem multimodal e “analgesia-first”; UpToDate e Harrison reforçam uso precoce de paracetamol e adjuvantes para reduzir doses de opioides.

Como pensar na prova: em UTI, procure termos como “multimodal”, “poupança de opioides” e “reavaliação frequente”. Lembre-se de escalas de dor validadas (BPS, CPOT) e ajuste por função renal/hepática.

Análise das alternativas incorretas

A — Diz “opioides de ação curta, como a morfina…”. Armadilha: morfina não é de ação curta e seus metabólitos (M6G, M3G) acumulam na insuficiência renal, aumentando risco de sedação/respiratória e neurotoxicidade. Conceito correto (evitar morfina na DRC), mas classificação e generalização estão erradas. Preferir fentanil ou remifentanil em disfunção renal (PADIS/UpToDate).

C — “Apenas infusão contínua de opioides” para todos. Inadequado: diretrizes recomendam titulação, uso de doses intermitentes quando possível, multimodalidade e reavaliação diária para evitar dependência, tolerância e delírio. Opioides isolados não são a única estratégia.

D — “Não opioides só após falha dos opioides”. Contraria PADIS: paracetamol deve ser usado precocemente como poupador de opioides; AINEs podem ser adjuvantes com cautela (risco renal/bleeding); cetamina baixa dose reduz opioide. Evidência mostra redução de ~20–30% no consumo de opioides com paracetamol.

E — Bloqueadores neuromusculares (BNM) não são analgésicos. Eles paralisam e mascaram dor, exigindo sedação e analgesia adequadas. Indicações são específicas (p.ex., ARDS grave) e jamais para “tratar dor”.

Prática na UTI: avalie dor com BPS/CPOT; inicie paracetamol salvo contraindicação; escolha o opioide conforme órgão-alvo (evitar morfina na DRC; considerar fentanil/remifentanil); adjuvantes quando apropriado (cetamina baixa dose, regional); reavalie frequentemente e reduza doses conforme evolução.

Referências: SCCM PADIS Guidelines (2018); UpToDate: Pain control in the ICU; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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