Quanto ao diagnóstico da leishmaniose visceral canina, assi...
Gabarito comentado
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Tema central: diagnóstico da leishmaniose visceral canina (LVC). Envolve integrar quadro clínico com testes sorológicos e, quando possível, detecção do parasito ou do seu DNA. Diretrizes (LeishVet; Ministério da Saúde/BR; OMS) recomendam abordagem combinada para aumentar acurácia.
Alternativa correta: C – O exame sorológico pode apresentar reatividade cruzada. Testes como IFI/ELISA detectam anticorpos anti-Leishmania e podem reagir com infecções por Trypanosoma cruzi (Doença de Chagas) e outros tripanossomatídeos, reduzindo a especificidade, sobretudo em áreas endêmicas. Por isso, adota-se estratégia em duas etapas (ex.: DPP para triagem e ELISA para confirmação no Brasil) e, se necessário, PCR ou parasitologia como complemento. Referências: LeishVet Consensus; Manual de Vigilância da Leishmaniose Visceral – Ministério da Saúde; PAHO/OMS.
Como interpretar a questão: desconfie de termos absolutos como “sempre” e “nunca” em diagnóstico; verifique se a técnica citada corresponde ao alvo (anticorpos x DNA); e se a amostra proposta é a mais adequada para o método.
Análise das incorretas
A) “Citologia de linfonodos sempre confirma” – Falso. A visualização de amastigotas em linfonodo, medula óssea ou baço é específica, mas a sensibilidade é variável (pode ser moderada) e o resultado pode ser negativo em animais infectados. Um resultado negativo não exclui LVC. Diretrizes recomendam combinar métodos.
B) “ELISA detecta DNA” – Falso. ELISA detecta anticorpos (IgG) anti-Leishmania. Quem detecta DNA do parasito é a PCR (convencional ou em tempo real).
D) “PCR em tempo real é pouco usada/baixa sensibilidade; sangue é a melhor amostra” – Falso. A PCR em tempo real é amplamente utilizada e possui alta sensibilidade e especificidade. O sangue geralmente é menos sensível que tecidos como linfonodo, medula óssea, pele ou swab conjuntival. Também pode quantificar carga parasitária e monitorar tratamento (LeishVet; MS).
E) “LVC nunca apresenta sinais cutâneos” – Falso. Lesões cutâneas são frequentes: alopecia, dermatite esfoliativa, úlceras, onicogrifose, além de linfadenomegalia, perda de peso, esplenomegalia, sinais oculares e alterações renais.
Achados e exames principais (resumo prático): suspeitar em cães de áreas endêmicas com sinais sistêmicos e cutâneos; triagem com DPP e confirmação com ELISA (vigilância oficial/MS). Em clínica, agregar PCR (preferir tecidos), citologia/histopatologia ou imuno-histoquímica quando possível. Avaliar hemograma, bioquímica e proteinúria pelo risco de nefropatia.
Pegadinha clássica: “sempre” e “nunca” costumam tornar a assertiva falsa em diagnóstico; e lembrar que ELISA ≠ DNA e que PCR tem melhor rendimento em tecidos do que em sangue.
Fontes: LeishVet Guidelines (2018–2020); Ministério da Saúde – Manual de Vigilância da Leishmaniose Visceral (BR); PAHO/WHO guidance on leishmaniasis; revisões em UpToDate.
Gabarito: C
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