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Q3192633 Medicina
Homem, 65 anos, com história de cirrose hepática e internação na UTI por insuficiência respiratória, desenvolve sinais de hemorragia digestiva superior, incluindo melena e hematêmese. Considerando o manejo de hemorragia digestiva em UTI, qual das seguintes alternativas é a mais correta? 
Alternativas

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Tema central: Hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas em paciente com cirrose na UTI. O manejo é tempo-dependente e envolve: estabilização hemodinâmica, vasoconstritor portal imediato, antibiótico profilático, e endoscopia urgente com ligadura elástica. (Diretrizes AASLD/EASL/Baveno VII; UpToDate; Harrison’s)

Alternativa correta: EVasoconstritores como terlipressina reduzem a pressão portal e o fluxo nas varizes, controlando o sangramento. Devem ser iniciados assim que houver suspeita de sangramento varicoso, antes mesmo da endoscopia. Opções: terlipressina (agente de escolha), ou octreotídeo/somatostatina. Evidências mostram maior controle da hemorragia e redução de mortalidade quando associados à endoscopia. (AASLD 2021; Baveno VII 2022)

Conduta prática recomendada (resumo em UTI):

  • Airway/Breathing: considerar intubação para proteção de via aérea em hematêmese volumosa.
  • Circulation: cristaloide cauteloso e transfusão restritiva (Hb alvo 7–9 g/dL). Evitar sobrecarga que ↑ pressão portal.
  • Vasoconstritor portal imediato (terlipressina/octreotídeo).
  • Antibiótico profilático: ceftriaxona 1 g/dia por até 7 dias (↓ infecção, rebleeding e mortalidade).
  • Endoscopia em até 12 horas para ligadura elástica. Se falha: balão como ponte, stent esofágico ou TIPS precoce em alto risco.

Por que as demais estão incorretas?

A – Antiácidos/ranitidina não tratam sangramento por varizes. O problema é hipertensão portal, não acidez. Além disso, ranitidina caiu em desuso. IBP podem ter papel após ligadura, mas não como manejo inicial de varizes. (EASL/AASLD)

BAntibiótico profilático é obrigatório em sangramento varicoso: reduz peritonite bacteriana espontânea, infecções, ressangramento e mortalidade. Ceftriaxona é preferida em UTI/áreas com resistência a quinolonas. (AASLD/EASL/Baveno VII)

C – Não se deve adiar indefinidamente a endoscopia. Faz-se ressuscitação imediata e procede-se a endoscopia urgente (≤12 h). Atraso piora desfechos; o risco anestésico é mitigado com estabilização e proteção de via aérea. (UpToDate; Baveno VII)

D – Cristaloides não bastam. É necessária transfusão conforme alvo (Hb 7–9 g/dL) e, em casos selecionados, plaquetas/fibrinogênio. Além disso, requer vasoconstritor portal, antibiótico e terapia endoscópica. (AASLD)

Estratégia de prova: destaque palavras-chave como cirrose + melena/hematêmese → pense em varizes; associe imediatamente vasoconstritor portal + antibiótico + endoscopia ≤12 h e transfusão restritiva. Desconfie de respostas que proponham “antiácido” ou “apenas cristalóide”.

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