Homem de 60 anos, admitido na UTI após uma cirurgia cardíaca...
Gabarito comentado
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Tema central: Sedação em UTI – escolha e implicações dos agentes sedativos em pacientes críticos, especialmente no contexto de ventilação mecânica prolongada.
Alternativa correta: C) O uso de benzodiazepínicos como o midazolam para sedação prolongada em UTI deve ser evitado devido ao seu potencial para acumulação e efeitos adversos prolongados, como delirium.
Justificativa: Benzodiazepínicos, em especial o midazolam, apresentam metabolismo hepático e eliminação renal, com possibilidade de acúmulo em pacientes críticos devido à função orgânica comprometida. Este acúmulo está relacionado à sedação excessiva, maior tempo de internação, dificuldades no desmame ventilatório e aumento do risco de delirium — um quadro comum e grave em UTI, associado à maior morbidade e mortalidade.
Segundo as Diretrizes Brasileiras para Tratamento Hospitalar do Paciente com COVID-19 – Capítulo 3: “Os pacientes devem, preferencialmente, permanecer com nível superficial de sedação (RASS 0 a -2).” (Seção 5.1.2). O uso prolongado de benzodiazepínicos não atende a essa recomendação.
Revisões sistemáticas e consenso do UpToDate reforçam: “O uso de benzodiazepínicos para sedação contínua está associado a maior incidência de delirium e atraso na extubação. Recomenda-se preferir outros agentes como propofol ou dexmedetomidina.” (UpToDate: “Sedative-analgesic medications in critically ill adults: Properties, dose regimens, and adverse effects”).
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta. O propofol pode causar hipotensão e depressão miocárdica, sendo contraindicado em casos de instabilidade hemodinâmica.
B) Incorreta. A dexmedetomidina não é o agente ideal para sedação profunda — seu perfil é de sedação leve/moderada, com pouca capacidade para analgesia profunda ou controle total de ventilação.
D) Incorreta. Sedação leve nem sempre é adequada para todos os pacientes. Indivíduos com risco de autoextubação, agitação severa ou indicações neurológicas exigem abordagem individualizada.
E) Incorreta. A sedação intermitente deve ser preferida quando possível, justamente para reduzir tempo de sedação e evitar complicações. Sedação contínua só é indicada em situações muito específicas (ex: status epilepticus).
Estratégias de prova: Atenção a expressões absolutas (“sempre”, “todos”) e à indicação do agente sedativo segundo o perfil do paciente. Os detalhes sobre o risco de delirium e acúmulo são essenciais para acertar a alternativa correta.
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