Homem, 72 anos, com histórico de Doença Pulmonar Obstrutiva ...
Gabarito comentado
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Tema central: escores de gravidade na UTI estimam risco de mortalidade, comparam desempenho entre unidades e auxiliam no prognóstico. Servem como ferramentas de apoio, não para decidir isoladamente condutas terapêuticas (Harrison’s; UpToDate; Surviving Sepsis Campaign/SCCM).
Alternativa correta: C — SAPS II é um escore desenvolvido para prever mortalidade hospitalar em adultos na UTI. Ele combina variáveis fisiológicas das primeiras 24h (ex.: PAS, FC, temperatura, PaO2/FiO2, diurese, ureia, bilirrubina, leucócitos, Na, K, bicarbonato, GCS) com dados não fisiológicos: idade, tipo de admissão (clínica, cirurgia eletiva/urgência) e doenças pré-existentes graves (AIDS, neoplasia metastática, neoplasia hematológica). Portanto, a descrição da alternativa está alinhada ao objetivo e à composição do SAPS II. Referências: Le Gall et al., JAMA 1993; UpToDate.
Por que as demais estão incorretas?
A. APACHE II não avalia “apenas” parâmetros fisiológicos “no momento da admissão”. Ele usa os piores valores nas primeiras 24h (12 variáveis fisiológicas) e inclui idade e pontos por saúde crônica (insuficiência orgânica grave prévia ou imunossupressão). Logo, considera história clínica e não se restringe ao instante da admissão. Referência: Knaus et al., Crit Care Med 1985; Harrison’s.
B. SOFA não é exclusivo para lesão renal aguda. Avalia disfunção de múltiplos órgãos (respiratório, coagulação, fígado, cardiovascular, sistema nervoso central, renal) e é amplamente usado em sepse/choque séptico para monitorar gravidade e risco de mortalidade. Aumentos ≥2 pontos definem disfunção orgânica relacionada à sepse (SSC 2021/2024; JAMA 2016 Sepsis-3).
D. A Escala de Coma de Glasgow mede nível de consciência (abertura ocular, resposta verbal e motora). Não é escore de gravidade global da UTI; é um componente de escores como APACHE II, SAPS II e SOFA, mas isoladamente não estima o risco sistêmico do paciente crítico.
E. Escores de gravidade não são o único determinante para limitar/continuar terapias. Decisões devem integrar preferências do paciente/família, resposta ao tratamento, comorbidades, fragilidade, prognóstico funcional e princípios éticos/legais (SCCM; SSC; recomendações de decisões compartilhadas). Escores têm melhor desempenho em nível populacional e exigem validação local.
Estratégia de prova: desconfie de termos absolutistas como “apenas”, “único” e “não é aplicável”. Lembre: APACHE II e SAPS II → predição de mortalidade com dados fisiológicos + não fisiológicos; SOFA → disfunção orgânica (sepse); GCS → consciência.
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