Paciente 25 anos, secundigesta e primípara, com acompanhamen...

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Q3833529 Medicina
Paciente 25 anos, secundigesta e primípara, com acompanhamento pré-natal de baixo risco bem realizado e sem intercorrências. Vem para acompanhamento pré-natal na 34ª semana de gravidez, quando é percebido uma AFU de 30 cm. Foi submetida a uma ultrassonografia que evidenciou peso fetal estimado entre no percentil 8 para idade gestacional (na 28ª semana o percentil era 70), o índice de pulsatilidade da artéria cerebral média fetal no percentil 3, da artéria umbilical no percentil 80 e da média das artérias uterinas no percentil 50. 
Qual a hipótese diagnóstica e conduta provavelmente CORRETA, baseado nas recomendações da International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology (ISUOG)? 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Na 34ª semana, o feto apresenta EFW no percentil 8 com queda acentuada do percentil 70 para 8 e MCA-PI no percentil 3, quadro compatível com FGR tardia e não apenas SGA; pela ISUOG, isso sustenta vigilância seriada com dopplervelocimetria e avaliação fetal, sem indicação de interrupção imediata pelos dados fornecidos.

Tema central: FGR tardia
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada pelo diagnóstico. Chamar de feto pequeno para idade gestacional ignora dois achados que afastam SGA constitucional: a queda importante do percentil de crescimento e o MCA-PI no percentil 3, que indica redistribuição cerebral. Embora o parto em torno de 38 semanas se aproxime do timing descrito para FGR tardia com redistribuição, a alternativa fica incorreta porque o quadro não é SGA.
B
Errada
Erra em dois pontos. Primeiro, o diagnóstico como SGA é incompatível com a desaceleração do crescimento e o Doppler cerebral anormal. Segundo, a proposta de interrupção perto de 36 semanas não tem base neste caso: segundo a ISUOG, na FGR tardia o parto entre 36+0 e 37+6 semanas é considerado quando há UA-PI > p95 ou EFW/AC < p3, o que não está presente.
C
Errada
O diagnóstico de FGR é compatível, mas a conduta não. Não há dados de gravidade que indiquem parto próximo da 35ª semana: o enunciado não mostra AEDF/REDF, CTG patológica, BPP ≤4, STV alterado ou indicação materna. A corticoterapia também não é recomendação padrão neste cenário estável de 34 semanas; a própria base informa falta de consenso entre 34 e 36 semanas e ausência de indicação rotineira aqui.
D
Certa
A alternativa D é a que melhor corresponde ao manejo recomendado pela ISUOG para FGR tardia estável. O caso não é de feto apenas pequeno: há EFW no percentil 8, desaceleração acentuada do crescimento ao longo do terceiro trimestre e MCA-PI muito baixo, achado compatível com vasodilatação cerebral adaptativa. Isso caracteriza insuficiência placentária tardia mesmo com UA-PI no percentil 80, porque Doppler umbilical normal não exclui FGR tardia. Na ausência de critérios de deterioração fetal grave ou indicação materna, a conduta é vigilância frequente com dopplervelocimetria e testes de vitalidade fetal seriados, e não parto imediato.
E
Errada
Reconhece corretamente FGR, mas erra o momento da interrupção. Na FGR tardia com redistribuição cerebral, a ISUOG orienta considerar parto em torno de 38+0 a 38+6 semanas, não prolongar até 40 semanas. Postergar até termo tardio ignora o aumento de risco associado ao MCA-PI baixo.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de classificar todo feto entre p3 e p10 como SGA. Aqui isso é falso porque a queda de crescimento do percentil 70 para 8 e o MCA-PI no percentil 3 mostram FGR tardia, mesmo com Doppler de artéria umbilical não francamente alterado.
Dica para questões semelhantes
  • Em feto < p10 após 32 semanas, não decida pelo percentil isolado: integre a curva de crescimento e o Doppler.
  • Na FGR tardia, UA-PI normal não exclui o diagnóstico; MCA-PI baixo sugere redistribuição cerebral.
  • Parto em 35-36 semanas exige critério de gravidade ou Doppler mais alterado; na FGR tardia estável, a lógica é vigilância seriada.
  • Se a questão citar ISUOG, use o critério de FGR tardia: EFW/AC < p10 com crossing de centis > 2 quartis e/ou Doppler sugestivo.

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