Há, no texto, uma frase cuja construção é própria da linguag...

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Q4380390 Português

Leia o texto para responder à questão.



Tempo do castigo


    Quando eu era criança, ficava de castigo e ia para o quarto pensar. Perguntava quanto tempo e contava os segundos para sair. Até hoje acho essa punição interessante: “Pense no que você fez para conversarmos”. Mas, para ser boa, essa punição precisa ter um tempo combinado. O tempo, na época, me parecia justo por ser proporcional ao erro e ao amor de minha mãe por mim. Eu sabia que ela me amava, sabia que ia ficar um tempo ali e sabia que ia sair e poder falar com ela. Era um acordo.


    Hoje temos um jeito adulto de punir: bloquear a pessoa no WhatsApp. Bloquear alguém que se ama é como colocar de castigo. “Você fez algo que não gostei, preciso de um tempo.” E aí vem o importante: quanto tempo é esse tempo? O tempo que pode ser o remédio que cura a relação ou o remédio que vira veneno.


    O tempo de castigo era válido quando não trazia mágoa. Quando servia apenas para acalmar os ânimos. Quando era um tempo com a intenção velada da paz.


    Quando se diz o que se quer nessa nova interação virtual e se bloqueia sem deixar que o outro responda, coloca-se o outro em um castigo cheio de angústia. E, na espera sem saber o tempo, a mágoa cresce, os argumentos perdem sentido.


    Bloquear pode ser usado como um respiro para avançarmos, mas nunca como forma de evitar conversas difíceis, que são justamente as que permitem o amadurecimento que vem dos relacionamentos. As relações avançam nas discussões. O castigo da minha mãe sempre me trouxe uma oportunidade de uma relação mais próxima com ela, entendendo meus erros, e isso me trazia um profundo alívio.


(Alice Ferraz. O Estado de S. Paulo, 6 de dezembro de 2025. Adaptado)



Há, no texto, uma frase cuja construção é própria da linguagem coloquial, mas desrespeita a norma-padrão de regência verbal. Assinale a alternativa que apresenta essa frase.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Pela regência normativa de gostar, a falta de de antes do relativo no trecho “Você fez algo que não gostei, preciso de um tempo.” configura o desvio solicitado e confirma a alternativa D.

Tema central: Regência verbal e pronome relativo
Análise das alternativas
A
Errada
A regência pensar em está respeitada: em aparece na contração no, formada por em + o. Portanto, não há omissão da preposição exigida pelo verbo.
B
Errada
Falar com ela é uma construção regular: a preposição com introduz a pessoa com quem se fala. Não há desvio de regência.
C
Errada
Bloquear recebe diretamente o complemento a pessoa, em que a é artigo, não preposição. A expressão no WhatsApp indica o ambiente virtual do bloqueio, sem alterar essa regência.
D
Certa
Na alternativa D, que retoma algo e exerce a função de objeto indireto de gostei: a relação é não gostei de algo. Por isso, a preposição de deve anteceder o relativo. A ausência dessa preposição caracteriza a construção coloquial solicitada, inadequada à norma-padrão de regência.
E
Errada
Avançar está empregado intransitivamente, e nas discussões é uma expressão circunstancial que situa o avanço das relações. Não há complemento verbal com preposição obrigatória omitida.
Pegadinha da questão
Embora algo seja objeto direto de fez, o relativo que tem função própria na oração que introduz: é complemento de gostei. A preposição deve ser determinada pela regência de gostar, não pela de fazer.
Dica para questões semelhantes
  • Examine a função do relativo dentro da oração que ele introduz e identifique o verbo ao qual se liga.
  • Reconstrua a relação entre verbo e antecedente: não gostei de algo evidencia a necessidade de de antes de que.
  • Verifique se a preposição já aparece em uma contração, como em no, antes de concluir que foi omitida.
  • Distinga complemento verbal de expressão circunstancial: nem toda expressão preposicionada é exigida pelo verbo.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

quem gosta, gosta DE algo. letra D.

GAB.D

O verbo gostar exige a preposição de: quem gosta, gosta de algo.

Deveria ser assim: Você fez algo do qual não gostei..

Gabarito (d). Questão dificílima. Exige conhecimento avançado no tema.

Linguagem coloquial = Linguagem informal

nossa, não fazia ideia

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