Há, no texto, uma frase cuja construção é própria da linguag...
Leia o texto para responder à questão.
Tempo do castigo
Quando eu era criança, ficava de castigo e ia para o quarto pensar. Perguntava quanto tempo e contava os segundos para sair. Até hoje acho essa punição interessante: “Pense no que você fez para conversarmos”. Mas, para ser boa, essa punição precisa ter um tempo combinado. O tempo, na época, me parecia justo por ser proporcional ao erro e ao amor de minha mãe por mim. Eu sabia que ela me amava, sabia que ia ficar um tempo ali e sabia que ia sair e poder falar com ela. Era um acordo.
Hoje temos um jeito adulto de punir: bloquear a pessoa no WhatsApp. Bloquear alguém que se ama é como colocar de castigo. “Você fez algo que não gostei, preciso de um tempo.” E aí vem o importante: quanto tempo é esse tempo? O tempo que pode ser o remédio que cura a relação ou o remédio que vira veneno.
O tempo de castigo era válido quando não trazia mágoa. Quando servia apenas para acalmar os ânimos. Quando era um tempo com a intenção velada da paz.
Quando se diz o que se quer nessa nova interação virtual e se bloqueia sem deixar que o outro responda, coloca-se o outro em um castigo cheio de angústia. E, na espera sem saber o tempo, a mágoa cresce, os argumentos perdem sentido.
Bloquear pode ser usado como um respiro para avançarmos, mas nunca como forma de evitar conversas difíceis, que são justamente as que permitem o amadurecimento que vem dos relacionamentos. As relações avançam nas discussões. O castigo da minha mãe sempre me trouxe uma oportunidade de uma relação mais próxima com ela, entendendo meus erros, e isso me trazia um profundo alívio.
(Alice Ferraz. O Estado de S. Paulo, 6 de dezembro de 2025. Adaptado)
- Gabarito Comentado (1)
- Aulas (4)
- Comentários (13)
- Estatísticas
- Cadernos
- Criar anotações
- Notificar Erro
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Gabarito: D
Fundamento decisivo: Pela regência normativa de gostar, a falta de de antes do relativo no trecho “Você fez algo que não gostei, preciso de um tempo.” configura o desvio solicitado e confirma a alternativa D.
- Examine a função do relativo dentro da oração que ele introduz e identifique o verbo ao qual se liga.
- Reconstrua a relação entre verbo e antecedente: não gostei de algo evidencia a necessidade de de antes de que.
- Verifique se a preposição já aparece em uma contração, como em no, antes de concluir que foi omitida.
- Distinga complemento verbal de expressão circunstancial: nem toda expressão preposicionada é exigida pelo verbo.
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
quem gosta, gosta DE algo. letra D.
GAB.D
O verbo gostar exige a preposição de: quem gosta, gosta de algo.
Deveria ser assim: Você fez algo do qual não gostei..
Gabarito (d). Questão dificílima. Exige conhecimento avançado no tema.
Linguagem coloquial = Linguagem informal
nossa, não fazia ideia
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo