Indique a opção em que o par de expressões NÃO corresponde a...
O sucesso e Aristóteles
Quem busca o resultado, e não a excelência, corre o risco de ficar sem nada
Sucesso. Eis uma palavra difícil de ser definida. O que é sucesso para uma pessoa pode não ser para outra. A coisa se complica quando pensamos que sucesso é dinheiro, o que na maioria das vezes não é. Aliás, sucesso nem sequer é sinônimo de resultado. Sucesso é fazer bem feito; resultado é conseqüência. Por isso, quando procuramos entender o sucesso, é melhor relacioná-lo com outra palavra: excelência. Quando alguém tem compromisso com a excelência, realiza seu trabalho com sucesso, o que o leva a alcançar os resultados desejados. Inclusive dinheiro. Felizmente, encontramos profissionais precupados com a excelência em todas as atividades. São pessoas de sucesso em seu trabalho. São respeitadas, admiradas e imitadas. Elas acertam no resultado porque miram na excelência. Mas esta não vem do nada, da simples intenção; é necessário que se adote uma estratégia.
Aqui vai uma história para ilustrar melhor esse assunto. Há muitos e muitos anos, um homem sábio, preocupado com o futuro de seu filho, lhe deu três conselhos: siga sua vocação, trabalhe em um local estimulante e administre suas finanças. E não é o que, ainda hoje, os orientadores de carreira dizem para os jovens que estão iniciando? Pois é, estes, sem saber, estão repetindo Aristóteles. Quando escreveu Ética a Nicômaco, o filósofo estava, pretensamente, escrevendo para seu filho e, nessa obra, encontramos as bases da excelência. Os três ingredientes citados se combinam para preparar o prato do sucesso, ainda que em doses diferentes, dependendo da etapa da vida. O início pode ser pela vocação, pelo ambiente ou pelos recursos, mas, no decorrer dos acontecimentos, a falta de um dos três compromete o conjunto.
“Busque o bem”, disse o filósofo, “o bem é o exercício ativo das faculdades da alma de conformidade com a excelência”. E ele esclareceu que o bem está nos menores atos, mas que todos estão conectados com um bem maior, que é a própria felicidade. A vida prática, diária, comum, impregnada de pequenos problemas, pode ser mais leve e agradável quando assumimos esse compromissso aristotélico: fazer o bem. Esta é a essência do sucesso. O resultado é uma mera questão de tempo. Não há razão para preocupações quando se assume compromisso com a excelência. Se por acaso você faz um trabalho que não lhe agrada, faça-o da melhor maneira possível, pois esta é a única garantia de que você não o fará para sempre, pois, com certeza, será conduzido a outras missões sequiosas de excelência. Não sabemos o que o filho de Aristóteles fez da vida, mas outro jovem que foi quase seu filho adotivo era Alexandre, o líder que conquistou praticamente todo o mundo conhecido antes de completar 30 anos.
MUSSAK, Eugênio. Revista VocêSA, mar. 2007.
Indique a opção em que o par de expressões NÃO corresponde ao tipo de variação lingüística explicitada entre parênteses.
Gabarito comentado
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Alternativa correta: B - Para eu fazer/para mim fazer. (variação semântica).
Tema central da questão: A questão aborda variações linguísticas, um tema muito relevante em concursos, pois exige reconhecer como a língua varia conforme tempo, espaço, grupo social, situação de uso ou sentido atribuído a palavras e expressões. É fundamental entender conceitos como variação diacrônica (no tempo), diatópica (regional), diastrática (social), semântica (de significado) e sintática (na estrutura das frases).
Resumo teórico: Segundo a Sociolinguística (cf. Bagno, “Preconceito Linguístico”, 2007), as variações linguísticas são naturais em qualquer idioma. Saber nomeá-las e distingui-las é essencial para interpretar corretamente enunciados e alternativas.
Justificativa da alternativa correta (B): O par "Para eu fazer/para mim fazer" expressa variação sintática, pois envolve o uso correto ou não do pronome do caso reto ou oblíquo como sujeito de infinitivo, e não variação semântica (de sentido). Logo, é a opção que NÃO corresponde ao tipo de variação indicada.
Análise das alternativas incorretas:
A - Muy/muito. (variação diacrônica). Correta quanto à classificação: "Muy" era usado no português arcaico (no passado), hoje usamos "muito" - uma clara variação diacrônica (no tempo).
C - Aipim/macaxeira. (variação diatópica). Correta: São termos regionais para o mesmo alimento, evidenciando variação diatópica (regional).
D - Sinistro/muito interessante. (variação diastrática). Correta: O uso de "sinistro" como "muito interessante" é típico de grupos jovens, mostrando variação diastrática (de grupo social).
E - Tudo o que o forçou a sair vai fazê-lo voltar/Tudo o que o forçou a sair vai fazer voltar. (variação sintática). Correta: A diferença está na construção da frase, ou seja, uma variação sintática (estrutura da oração).
Dica de estratégia: Leia atentamente as expressões e os tipos de variação. Se atente ao conceito de cada variação e elimine as que claramente se encaixam na definição proposta! Nos concursos, muitas pegadinhas envolvem confundir variação de sentido (semântica) com as demais.
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