O novo tipo de passividade que, segundo a autora, caracteriz...
EXCERTO 2- QUESTÕES 7 a 10
- Talvez parte do que consideramos ativismo seja um novo tipo de passividade. Há
- tanta informação disponível, mas talvez estejamos nos imbecilizando. Porque nos falta
- contemplação, nos falta o vazio que impele à criação, nos falta silêncios. Nos falta até o tédio.
- Sem experiência não há conhecimento. E talvez uma parcela do ativismo seja uma ilusão de
- ativismo, porque sem o outro. Talvez parte do que acreditamos ser ativismo seja, ao
- contrário, passividade. Um novo tipo de passividade, cheia de gritos, de certezas e de pontos
- de exclamação. Os espasmos tornaram-se a rotina e, ao se viver aos espasmos, um
- espasmo anula o outro espasmo que anula o outro espasmo. Quando tudo é grito não há
- mais grito. Quando tudo é urgência nada é urgência. Ao final do dia que não acaba resta a
- ilusão de ter lutado todas as lutas, intervindo em todos os processos, protestado contra todas
- as injustiças. Os espasmos esgotam, exaurem, consomem. Mas não movem. Apaziguam,
- mas não movem. Entorpecem, mas será que movem?
- Sobre esse tema há um pequeno livro, precioso, chamado sugestivamente de
- Sociedade do Cansaço. (...) Sobre nossa nova condição, Han diz: “A sociedade do trabalho e
- a sociedade do desempenho não são sociedades livres. Elas geram novas coerções. A
- dialética do senhor e escravo está, não em última instância, naquela sociedade na qual cada
- um é livre e capaz também de ter tempo livre para o lazer. Leva, ao contrário, a uma
- sociedade do trabalho, na qual o próprio senhor se transformou num escravo do trabalho.
- Nessa sociedade coercitiva, cada um carrega consigo seu campo de trabalho. A
- especificidade desse campo de trabalho é que somos ao mesmo tempo prisioneiro e vigia,
- vítima e agressor. Assim, acabamos explorando a nós mesmos. Com isso, a exploração
- é possível mesmo sem senhorio”.
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Gabarito Comentado – Interpretação de Texto
Tema central da questão:
Esta questão trabalha interpretação de textos e coerência textual, exigindo do candidato a compreensão detalhada do sentido global do excerto, ou seja, a capacidade de identificar o posicionamento do autor sobre o "ativismo" na sociedade contemporânea.
Justificativa para a alternativa correta – C:
A opção C) ativismo que imobiliza e não provoca mudanças está correta porque sintetiza, de forma fiel ao texto, a tese central desenvolvida pela autora: o “novo tipo de passividade” se expressa por um ativismo aparente, marcado por ações impulsivas, sem profundidade ou impactos reais. O texto destaca frases como “Há tanta informação disponível, mas talvez estejamos nos imbecilizando”, “espasmo anula o outro espasmo” e “os espasmos esgotam, exaurem, consomem. Mas não movem”, indicando que esse ativismo não gera transformação concreta, apenas a sensação ilusória de participação. Assim, a passividade está disfarçada sob a aparência de ação.
Neste caso, aplicar a técnica de localizar as ideias principais e os argumentos do texto é fundamental. A interpretação vai além do literal, identificando críticas à sociedade contemporânea e a contradição: muito ativismo, pouca eficácia.
Análise das alternativas incorretas:
A) “submissão ao conhecimento e à informação” – Errada. O texto faz referência ao excesso de informação, mas não que a passividade seja submissão a ela. O foco é na ilusão de movimento.
B) “impossibilidade de protestar contra as injustiças” – Errada. Em nenhum momento o texto fala em um impedimento de protestar. Pelo contrário, os protestos existem, mas se tornaram automáticos e ineficazes.
D) “nova forma de se sujeitar ao sentimento de urgência” – Errada. Embora o texto mencione a urgência (“quando tudo é urgência nada é urgência”), o destaque está em como essa urgência falsa não provoca mudanças, mas não define a passividade apenas por esta urgência.
Estratégia para futuras questões:
Recomenda-se que, ao analisar textos argumentativos, identifique o ponto de vista do autor explícito e implícito, atentando-se a termos de oposição e ironia, que costumam ser pegadinhas frequentes em provas. O método de eliminação das alternativas que generalizam ou distorcem o foco do texto também é essencial.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo