Chega ao seu consultório um homem de 58 anos, portador de ...
Chega ao seu consultório um homem de 58 anos, portador de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (FEVE 30%), em seguimento irregular. Ele relata piora progressiva da dispneia aos esforços, ortopneia e edema de membros inferiores. Está em uso de carvedilol, enalapril e espironolactona. Nos últimos dias, refere náuseas e sensação de fraqueza. O exame físico mostra estertores bibasais, turgência jugular e edema +2/4. Os exames laboratoriais revelam: K⁺ = 5,8 mEq/L, Ur = 89 mg/dL, Cr = 2,1 mg/dL (valor prévio 1,3), BNP elevado e eletrólitos sem outras alterações. O ECG mostra ritmo sinusal sem alterações isquêmicas.
Diante do quadro clínico e laboratorial, a melhor adequação terapêutica imediata para otimizar o tratamento da insuficiência cardíaca desse paciente é:
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Gabarito: C
Fundamento decisivo: Em HFrEF sintomática, com K+ = 5,8 mEq/L e creatinina em elevação sob enalapril e espironolactona, o bloqueio do sistema renina-angiotensina não pode ser mantido com segurança; nessa hipótese, a alternativa compatível com a base é suspender o IECA e adotar hidralazina + dinitrato de isossorbida, preservando o betabloqueador e permitindo a otimização da terapia com SGLT2i.
- Se houver HFrEF com K+ acima de 5,5 mEq/L e creatinina em piora sob IECA/ARB/ARNI ou MRA, o primeiro filtro é a segurança do bloqueio RAAS.
- Não suspenda betabloqueador em HFrEF apenas por congestão ou por alteração laboratorial ligada ao eixo RAAS; procure contraindicação específica no enunciado.
- Quando IECA/ARB/ARNI não puderem ser usados, hidralazina + nitrato passa a ser a alternativa vasodilatadora relevante.
- SGLT2i deve ser reconhecido como terapia de base da HFrEF, não como medida acessória.
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1Essa é uma questão excelente que exige conhecimento das Diretrizes Brasileiras de Insuficiência Cardíaca (IC) para manejar um paciente que está descompensando (IC Perfil B - "quente e úmido") e apresenta complicações metabólicas.
A resposta correta é a C, e aqui está a explicação baseada na lógica clínica e nas diretrizes:
1. O Cenário Clínico (Diagnóstico de Congestão e Insulto Renal)
O paciente apresenta sinais clássicos de Insuficiência Cardíaca Descompensada:
Sintomas: Ortopneia, dispneia progressiva e edema.
Exame Físico: Estertores pulmonares, turgência jugular e edema de MMII.
Laboratório Crítico: * Hipercalemia: K^+ = 5,8 mEq/L (o limite para suspender IECA/BRA/Espironolactona geralmente é > 5,5).
Piora da Função Renal: Creatinina subiu de 1,3 para 2,1 mg/dL (um aumento de > 50\% em relação à base).
2. Por que suspender o IECA (Enalapril)?
Segundo a Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda:
Disfunção Renal Aguda: Quando há um aumento significativo da creatinina (geralmente > 50\% ou acima de 2,5 - 3,0 mg/dL) e hipercalemia persistente, deve-se suspender temporariamente os inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (IECA, BRA ou ARNI).
O Enalapril, neste momento, pode estar contribuindo para a queda da taxa de filtração glomerular por reduzir a pressão na arteríola eferente e por reter potássio.
3. Por que introduzir Hidralazina + Dinitrato de Isossorbida?
Esta é uma estratégia de vasodilatação alternativa. Quando o paciente não tolera IECA/BRA/ARNI (seja por insuficiência renal severa ou hipercalemia), a combinação de Hidralazina e Nitrato é a escolha para:
Reduzir a pós-carga (Hidralazina).
Reduzir a pré-carga (Nitrato), ajudando no controle da dispneia e ortopneia.
Manter o tratamento vasodilatador sem afetar os níveis de potássio ou agredir tanto a hemodinâmica renal.
4. Por que manter o Betabloqueador?
A diretriz é clara: Não se retira o betabloqueador (Carvedilol) em pacientes com IC descompensada, a menos que ele esteja em choque cardiogênico ou bradicardia sintomática. Retirar o BB aumenta a mortalidade a curto prazo. Como o paciente está "apenas" congesto (Perfil B), o BB deve ser mantido, preferencialmente na dose atual.
5. Por que iniciar o iSGLT2 (Inibidor de SGLT2)?
Os inibidores da SGLT2 (como Dapagliflozina ou Empagliflozina) tornaram-se um dos pilares do tratamento da IC com Fração de Ejeção Reduzida (ICFEr). Eles:
Têm efeito diurético osmótico suave (ajudam na congestão).
Reduzem o risco de hipercalemia (ajudam a equilibrar o potássio)..
Têm efeito nefroprotetor a longo prazo, mesmo que haja uma pequena queda inicial na filtração glomerular.
Dica para a prova: Sempre que vir um paciente de IC com K^+ > 5,5 ou Creatinina subindo muito, a primeira medida é "limpar" os poupadores de potássio e bloqueadores do eixo renina-angiotensina.
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