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Q3989362 História
“Em 1º de novembro de 1755 um terremoto arrasou Lisboa, provocando milhares de mortes e destruindo cerca de 85% da cidade. (...) O Rei D. José I e o primeiro-ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, (...) contrataram arquitetos e engenheiros de toda a Europa a fim de reconstruir a capital. A arquitetura das casas era uniforme, assim como o desenho das portas, janelas e varandas. Vigas, balaustradas, azulejos e até pregos foram feitos em série a partir de um pequeno número de modelos, (...). A arquitetura (...) deveria submeter os interesses particulares à utilidade pública da regularidade e da beleza da capital.”
ENDERS, A.; MORAES, M. & FRANCO, R. História em curso: da Antiguidade à Globalização. São Paulo: Editora do Brasil; Rio de Janeiro: FGV, 2008. p. 206

Considerando as informações do trecho selecionado e o contexto europeu da época abordada, uma alcunha que poderia ser – e provavelmente foi – atribuída à Lisboa após sua reconstrução é:  
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O decisivo foi a comparação entre a descrição da reconstrução de Lisboa e o vocabulário do século XVIII: regularidade, padronização e utilidade pública. Essa convergência aponta para o Iluminismo e afasta as demais alternativas.

Tema central: Iluminismo e urbanismo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque Contrarreforma diz respeito à reação católica à Reforma Protestante e à reafirmação religiosa dos séculos XVI e XVII. O trecho trata de reconstrução urbana racional voltada à utilidade pública, não de militância confessional.
B
Certa
A alternativa B está certa porque o trecho apresenta uma reconstrução urbana planejada de modo racional, uniforme e subordinada à utilidade pública, o que se alinha ao ideário ilustrado do século XVIII. A descrição de regularidade, padronização e produção em série reforça essa leitura e afasta uma interpretação religiosa ou estética.
C
Errada
Está errada porque, embora Portugal fosse uma monarquia absolutista, isso não é o núcleo que define a alcunha pedida. O texto mostra atuação estatal, mas o ponto central é a racionalização ilustrada da reconstrução, não o absolutismo como síntese interpretativa principal.
D
Errada
Está errada porque barroco remete sobretudo à exuberância ornamental, enquanto o trecho enfatiza uniformidade, regularidade e padronização. A descrição aponta para ordenação racional, não para uma definição barroca da cidade reconstruída.
Pegadinha da questão
A confusão real era trocar o eixo do texto: ver a ação do governo e marcar absolutismo, ver Portugal católico e marcar Contrarreforma, ou ler "arquitetura" e marcar barroco. O enunciado, porém, destacava regularidade, padronização e utilidade pública, que conduzem ao Iluminismo.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão trouxer século XVIII, planejamento racional e utilidade pública, teste primeiro a chave interpretativa do Iluminismo.
  • Separe estilo artístico, movimento religioso e cultura política: arquitetura no texto não obriga resposta estética.
  • Se a presença do Estado aparecer como meio, mas o texto insistir em razão, ordem e padronização, o conceito central pode não ser absolutismo.

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