A afirmação da República brasileira evidencia muitos dos mov...

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Q3989358 História
A afirmação da República brasileira evidencia muitos dos movimentos políticos os quais permanecem ativos como estratégias de condução das opiniões sociais. Em uma entrevista sobre sua obra 1897 – A República polarizada e o atentado contra Prudente de Morais (Rio de Janeiro: Ayran, 2025), primeiro presidente civil no Brasil, o autor Ely Carneiro de Paiva relata um trecho de uma reportagem de um jornal da época afirmando que “o Conde d’Eu tem remetido dinheiro ao Conselheiro.” Considerado pelo autor uma fake news, tal trecho pode ter como intenção política:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A decisão dependia de reconhecer que a acusação contra o Conde d’Eu vinculava Canudos ao monarquismo e, assim, apontava para o uso político dessa associação pela imprensa republicana.

Tema central: Canudos e monarquismo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque desloca o sentido da fake news para Floriano Peixoto e para o enfraquecimento do Estado após o fim da escravidão. O vínculo Conde d’Eu–Conselheiro aciona o eixo monarquia versus República, não uma reaproximação da imagem de Floriano nem uma leitura centrada no pós-abolição.
B
Certa
A alternativa B está correta porque a acusação de que o Conde d’Eu enviava dinheiro ao Conselheiro associa Canudos à restauração monárquica. No contexto da Primeira República, essa vinculação era politicamente útil aos jacobinos nacionalistas, que podiam apresentar o conflito como defesa da República contra um retrocesso monárquico.
C
Errada
Está errada porque atribui à notícia a finalidade de enfraquecer Prudente de Morais com base em suposta aliança com monarquistas liderados por Manoel Vitorino. Esse não é o sentido político principal do boato segundo a base: o núcleo é a demonização monárquica de Canudos para mobilização republicana radical.
D
Errada
Está errada porque depende da premissa de um falso atentado fabricado para desviar o foco do governo, elemento estranho ao núcleo decisório da notícia sobre Conde d’Eu e Conselheiro. A explicação politicamente sustentada pela base é outra: explorar o medo de restauração monárquica.
Pegadinha da questão
A confusão real era tratar o boato como ataque direto a Prudente de Morais ou como tema ligado a Floriano, quando o núcleo político estava na associação de Canudos ao monarquismo para favorecer o jacobinismo republicano.
Dica para questões semelhantes
  • Quando aparecer Conde d’Eu no contexto da Primeira República, verifique se a questão está ativando o símbolo da monarquia deposta.
  • Se a notícia liga Conselheiro ou Canudos a apoio imperial, o efeito político mais provável é enquadrar o conflito como ameaça antirrepublicana.
  • Entre alternativas possíveis, prefira a que preserva o eixo central do boato; descarte as que exigem premissas adicionais não dadas.

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Comentários

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A alternativa correta é a B) fortalecer os nacionalistas jacobinos diante da opinião pública ao associar uma das grandes mazelas da época ao retrocesso monárquico.

Para resolver essa questão, precisamos lembrar do cenário político do Brasil em 1897, durante o governo de Prudente de Morais (o primeiro presidente civil):

A Guerra de Canudos: O país estava paralisado e aterrorizado pelo conflito na Bahia. Antônio Conselheiro e seus seguidores resistiam ferozmente às expedições do Exército.

A Paranoia Monarquista: Na capital (Rio de Janeiro), os republicanos mais radicais — chamados de jacobinos ou florianistas (apoiadores do falecido Marechal Floriano Peixoto) — espalhavam o boato de que Canudos não era um movimento social/religioso, mas sim uma conspiração monarquista internacional financiada para derrubar a República.

Os Personagens do Boato: O Conde d’Eu era o marido da Princesa Isabel, que estava exilado na Europa. O boato de jornal afirmando que ele "tem remetido dinheiro ao Conselheiro" era a fake news perfeita para a época.

A intenção política de espalhar que a realeza exilada financiava Antônio Conselheiro servia exatamente aos propósitos dos jacobinos radicais:

Criar um inimigo comum: Ao associar a maior crise do momento (a "mazela" da Guerra de Canudos) ao "retrocesso monárquico" (Conde d'Eu), os republicanos radicais inflamavam o nacionalismo da população.

Ganho político: Eles se colocavam perante a opinião pública como os únicos e verdadeiros defensores da pátria contra uma suposta ameaça de volta da Monarquia, fortalecendo sua própria base política (o jacobinismo) e pressionando o governo civil de Prudente de Morais a ser mais duro e militarizado.

Erros das demais alternativas:

A) aproximar a imagem do grande opositor Floriano Peixoto... Floriano Peixoto já havia falecido em 1895. Além disso, os jacobinos eram herdeiros políticos de Floriano e queriam exaltar o ideal florianista, não enfraquecer o Estado ou associá-lo negativamente ao fim da escravidão.

C) enfraquecer a imagem do presidente Prudente de Morais que se manteve no cargo por aliar-se aos monarquistas liderados por Manoel Vitorino... Manoel Vitorino era o vice-presidente (e chegou a assumir a presidência interinamente), mas ele era ligado justamente aos setores jacobinos/florianistas radicais, e não aos monarquistas. Prudente de Morais representava as oligarquias cafeicultoras paulistas, não uma aliança monárquica.

D) desviar o foco do fiasco econômico... depois da descoberta de um falso atentado fabricado... O atentado contra Prudente de Morais (ocorrido em novembro de 1897) foi real e trágico — o ministro da Guerra, Marechal Bittencourt, morreu defendendo o presidente física e heroicamente contra o golpista Marcelino Bispo. O atentado não foi um fiasco fabricado pelo governo, mas sim o estopim que permitiu a Prudente de Morais decretar estado de sítio e desarticular de vez os jacobinos radicais.

A intenção por trás dessa notícia falsa era:

  • Criar um inimigo comum: Ao espalhar que Canudos não era só uma revolta de camponeses famintos, mas sim uma conspiração monárquica rica financiada pela antiga família real no exílio, os jacobinos conseguiam inflamar a opinião pública.
  • Fortalecimento político: Com a população apavorada achando que a Monarquia estava voltando através de Canudos, os nacionalistas jacobinos podiam se colocar como os "únicos salvadores da pátria" e da República, ganhando apoio popular e justificando o uso da força bruta e da violência contra qualquer oposição.

GABARITO B

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