Lucas, que é servidor público civil federal, cometeu ilícito...

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Q112126 Medicina
Lucas, que é servidor público civil federal, cometeu ilícito dentro da repartição. Jorge, chefe imediato de Lucas, tomou ciência do citado ilícito por meio de carta anônima e, sabedor de que a autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a apurá-la imediatamente, instaurou sindicância na qual se assegurou a Lucas ampla defesa.

Com referência a essa situação hipotética, assinale a opção correta.
Alternativas

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Tema central: A questão aborda a legalidade da instauração de sindicância com base em denúncia anônima no serviço público federal. Esse tema é relevante ao Médico do Trabalho, pois envolve ética, direitos e deveres no ambiente público, inclusive em situações de assédio, más condições laborais ou infrações administrativas.

Comentário da alternativa correta (E): A alternativa E está correta, pois segue à risca o que dispõe o artigo 144 da Lei nº 8.112/1990: "As denúncias sobre irregularidades serão objeto de apuração, desde que contenham a identificação e o endereço do denunciante e sejam formuladas por escrito, confirmada a autenticidade." Essa exigência protege tanto o denunciado de acusações levianas quanto a administração de possíveis manipulações.

No entanto, há um ponto prático importante: a jurisprudência moderna, incluindo a Súmula 611 do STJ, orienta que denúncias anônimas podem ser investigadas, desde que antes haja verificação preliminar dos fatos. Mas, para efeitos formais de concurso, predomina o texto da lei — daí a opção correta ser a E.

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreto. A denúncia deve ser descartada se não houver elementos mínimos de autoria ou materialidade, mas a alternativa confunde conceito e não menciona a necessidade de identificação do denunciante.

B) Incorreto. Embora o interesse público oriente a apuração, a lei exige identificação do denunciante; denúncias anônimas não implicam abertura imediata de sindicância.

C) Incorreto. O fato de "notícia" não obriga instauração direta do processo disciplinar, pois a denúncia deve cumprir requisitos formais.

D) Incorreto. Não há discricionariedade: a lei é clara quanto aos procedimentos a serem seguidos para apuração, inclusive sobre denúncia anônima.

Estratégia para concursos: Fique atento a expressões do tipo "sempre", "só pode", "deve imediatamente", que costumam ser armadilhas. Veja se a alternativa respeita dispositivos legais literais (como o art. 144, Lei 8.112/90).

Resumo: Para concursos, prevalece o texto legal: a denúncia precisa ser identificada e fundamentada por escrito. Em casos reais, pode haver investigação preliminar, mas para a prova, siga o que está na lei seca.

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A atitude de Jorge, chefe imediato de Lucas, está em conformidade com o princípio da legalidade e com o dever da administração pública de apurar irregularidades. No entanto, há um ponto controverso sobre o uso de denúncia anônima como fundamento para a instauração da sindicância.

Análise Jurídica:

1. Dever de Apuração

• Conforme o art. 143 da Lei nº 8.112/1990 (Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União), a autoridade competente que tiver ciência de irregularidade no serviço público deve promover a apuração imediata.

• O Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendem que denúncias anônimas não podem, por si só, fundamentar a instauração de processo administrativo disciplinar (PAD) ou sindicância, mas podem servir como meio de alerta para que se verifique a existência de indícios de irregularidade.

2. Denúncia Anônima e Procedimento Preliminar

• A Administração Pública pode realizar uma verificação preliminar para apurar a plausibilidade da denúncia antes de instaurar formalmente uma sindicância.

• Se houver indícios concretos obtidos a partir dessa verificação, a sindicância pode ser instaurada.

3. Garantia da Ampla Defesa e do Contraditório

• No caso apresentado, Lucas teve assegurado o direito à ampla defesa na sindicância, o que está em conformidade com os princípios do devido processo legal.

• Se a sindicância foi instaurada sem uma verificação preliminar da denúncia anônima, pode haver questionamento sobre sua legalidade.

Conclusão

A instauração da sindicância, em si, é um ato legítimo, desde que haja indícios mínimos de irregularidade além da denúncia anônima. Caso contrário, Lucas poderia questionar a legalidade do procedimento, alegando que foi baseado apenas em uma carta anônima, sem prévia verificação de indícios.

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