Não é possível alterar a voz da forma verbal da frase:

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Q24289 Português
A tribo que mais cresce entre nós

A nova tribo dos micreiros* cresceu tanto que talvez já não
seja apenas mais uma tribo, mas uma nação, embora a
linguagem fechada e o fanatismo com que se dedicam ao seu
objeto de culto sejam quase de uma seita. São adoradores que
têm com o computador uma relação semelhante à do homem
primitivo com o totem e o fogo. Passam horas sentados, com o
olhar fixo num espaço luminoso de algumas polegadas,
trocando não só o dia pela noite, como o mundo pela realidade
virtual.

Sua linguagem lembra a dos funkeiros** em quantidade de
importações vocabulares adulteradas, porém é mais ágil e rica,
talvez a mais rápida das tribos urbanas modernas. Dança quem
não souber o que é BBS, modem, interface, configuração,
acessar e assim por diante. Alguns termos são neologismos e,
outros, recriações semânticas de velhos significados, como
janela, sistema, ícone, maximizar.
No começo da informatização das redações de jornal,
houve um divertido mal-entendido quando uma jovem repórter
disse pela primeira vez: "Eu abortei!". Ela acabava de rejeitar
não um filho, mas uma matéria. Hoje, ninguém mais associa
essa palavra ao ato pecaminoso. Aborta-se tão impune e
freqüentemente quanto se acessa.
Nada mais tem forma e sim "formatação". Foi-se o tempo
em que "fazer um programa" era uma aventura amorosa. O
"vírus" que apavora os micreiros não é o HIV, mas uma
intromissão indevida no "sistema", outra palavra cujo sentido
atual nada tem a ver com os significados anteriores. A geração
de 68 lutou para derrubar o sistema; hoje o sistema cai a toda
hora.

Alguns velhos homens de letras olham com preconceito
essa tribo, como se ela fosse composta apenas de jovens, e
ainda por cima iletrados. É um engano, porque há entre os
micreiros respeitáveis senhoras e brilhantes intelectuais. Falar
mal do computador é tão inútil e reacionário quanto foi quebrar
máquinas no começo da primeira Revolução Industrial. Ele veio
para ficar, como se diz, e seu sucesso é avassalador. Basta ver
o entusiasmo das adesões.

(Zuenir Ventura, Crônicas de um fim de século)

* micreiros = usuários de microcomputador.
** funkeiros = criadores ou entusiastas da música funk.
Não é possível alterar a voz da forma verbal da frase:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é a passivização: só há mudança regular de voz quando o verbo admite objeto direto convertível em sujeito paciente. Em "No começo da informatização das redações de jornal, houve um divertido mal-entendido.", o verbo "haver" está empregado impessoalmente, com sentido de ocorrer/existir; por isso, não há sujeito nem objeto direto passível de promoção a sujeito paciente, e a forma verbal não admite alteração regular de voz.

Tema central: voz verbal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque "constitui" admite alteração de voz. Trata-se de verbo transitivo direto, com complemento que pode ser promovido a sujeito paciente em formulação passiva correspondente. A dificuldade aqui é apenas de naturalidade estilística da reescrita, não de impossibilidade gramatical.
B
Certa
A alternativa B está correta porque seu núcleo verbal é "houve", uso impessoal de "haver" com sentido de ocorrer/existir. Nesse emprego, o verbo não seleciona estrutura passivizável: "um divertido mal-entendido" não funciona, para fins desta questão, como objeto direto que possa virar sujeito paciente. Portanto, a impossibilidade de alterar a voz decorre de critério sintático-gramatical, não de sentido ou de estilo.
C
Errada
Está errada porque "olham" aparece com objeto direto expresso: "essa tribo". Isso permite a conversão regular para a voz passiva: o objeto direto pode tornar-se sujeito paciente. O adjunto "com preconceito" não interfere nessa possibilidade.
D
Errada
Está errada porque a locução verbal "tinha abortado" admite reescrita passiva correspondente, já que o verbo está empregado transitivamente em "abortar uma matéria". O que autoriza a mudança de voz é esse uso transitivo direto no contexto da alternativa.
E
Errada
Está errada porque a frase já se encontra em voz passiva analítica: "são feitas". Logo, é justamente uma estrutura que admite alteração para a voz ativa, ainda que o agente da passiva não esteja expresso. A ausência de agente expresso não impede a reversão.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre passiva pouco natural e passiva impossível, além da tendência de tratar o "haver" impessoal como se fosse verbo transitivo comum só porque vem seguido de sintagma nominal.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de tentar reescrever, identifique se o verbo tem objeto direto que possa virar sujeito paciente.
  • Se aparecer "haver" com sentido de existir ou ocorrer, trate-o como impessoal e desconfie da possibilidade de passivização.
  • Não elimine uma alternativa porque a passiva soa estranha; o critério é possibilidade gramatical, não elegância estilística.
  • Frases já construídas na voz passiva também entram no jogo: a questão pode cobrar a passagem inversa para a voz ativa.

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Comentários

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Questão complicada, aliás, a prova de Português do TRT/MG, foi um trem de doido mesmo!

a) constitui o quê? é possível
b) não é possível, mas pq? houve o quê? Será pq o verbo haver está no sentido de existir, por isso ,é impessoal e assim, uma oração sem sujeito?
c)olham o quê? é possível
d) abortado o quê? é possível
e) não entendi, que pergunta faço aqui? são o quê? Será que não é possível pois já se encontra na voz passiva?


Será que alguém poderia comentar essa questão? Qual é o racicínio para se chegar à resposta correta? Eu marquei a letra E.

  Amigo, não sei se estou certo mas a mim o que chamou mais atenção foi o verbo HAVER no sentido de EXISTIR , que é sempre impessoal . Portanto fica sem os componentes básicos para a transformação de voz .

  Espero ter dado uma direção . Abrçs
A questão pergunta apenas sobre a alteração de voz.

A questão "e)" está na voz passiva com verbo fazer (VTD). Logo, é possível passá-lo para a voz ativa, ou seja, alterar a voz do verbo.

Como não tem agente da passiva, creio que ficaria assim, indeterminando o sujeito:
A partir de termos ou expressões já antigos, fazem recriações semânticas.
b) No começo da informatização das redações de jornal, houve um divertido mal-entendido.
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a) A quantidade dos micreirosconstitui, de fato, uma nação, mais do que uma simples tribo.
Uma nação já é constituída pela quantidade dos micreiros.
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c) Alguns velhos homens de letras olham com preconceito essa tribo.
Essa tribo é olhada com preconceito por alguns velhos homens de letras
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 d) A jovem repórter citada no texto tinha abortado uma matéria, e não um filho.
Uma matéria, e não um filho, tinha sido abortada pela jovem repórter citada no texto
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 e) Recriações semânticas são feitas a partir de termos ou expressões já antigos
Fazem Recriações semânticas a partir de termos ou expressões já antigos
Voz ativa - sujeito agente
Voz Passiva - Sujeito Paciente

Não há de se falar em voz passiva com o  verbo haver no sentido de existir pois ele é impessoal, não possui sujeito.
Só podem mudar de voz os verbos VTD ou VTDI. O objeto direto da Voz Ativa, vira sujeito paciente da Voz Passiva.
Verbos intrasitivos ou transitivos indiretos não aceitam a voz passiva porque não possuem objeto direito. 
O verbo haver, apesar de transitivo direto, jamais aceita ser apassivado
Os exemplos em que se vê esse verbo na voz passiva indicam frases nas quais “haver” é mero auxiliar. Como verbo principal, haver não aceita passiva:
Haverá novos conflitos no sul do Líbano ( não há transposição passiva )
Estão havendo reuniões secretas no Palácio ( não há transposição passiva )
Houve um acidente na BR ( não há transposição passiva )
Deverá haver uma mudança no Código Penal ( não há transposição passiva )

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