Nos versos: Chegou um tempo em que não adianta morrer. / C...
Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu
Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos
edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Gabarito: C
Fundamento decisivo: A repetição de uma mesma expressão no início de segmentos sucessivos constitui anáfora. O trecho decisivo é: “Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.” Esse critério confirma a alternativa C.
- Identifique a expressão repetida e verifique sua posição: neste critério, ela deve iniciar os segmentos sucessivos.
- Distinga repetição formal de redundância de conteúdo: aberturas iguais podem introduzir afirmações diferentes.
- Analise o recurso nos versos delimitados pelo comando, sem buscar outras figuras no poema inteiro.
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