Uma mulher, que trabalhava há sete anos em uma padaria, foi ...

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Ano: 2025 Banca: UERJ Órgão: UERJ Prova: UERJ - 2025 - UERJ - Procurador |
Q3364508 Direito do Trabalho
Uma mulher, que trabalhava há sete anos em uma padaria, foi contratada como balconista e, dois anos depois, foi promovida à gerente. Ela sempre trabalhou corretamente, com pontualidade e comprometimento. Durante uma tempestade de verão, sua casa foi atingida por uma enchente. Após decretação de calamidade pública pelo Município e depois de avaliar a extensão dos danos, a mulher decidiu sacar o seu fundo de garantia do tempo de serviço (FGTS) para iniciar a reconstrução da residência. No entanto, ao chegar ao banco, foi informada que nada havia em sua conta vinculada. Indignada, ela ajuizou ação trabalhista requerendo a rescisão indireta do seu contrato, com pedido de pagamento das verbas rescisórias e da multa prevista no art. 477, §8º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ao analisar esse caso segundo a previsão do artigo 483, “d” da CLT, conclui-se que a mulher: 
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Comentário de Gabarito — Cessação do Contrato de Trabalho: Rescisão Indireta por Não Recolhimento do FGTS

1. Interpretação e legislação:

O enunciado aborda rescisão indireta — espécie de extinção do vínculo iniciada pelo empregado em razão de falta grave do empregador. Na situação descrita, trata-se do não recolhimento de FGTS. Segundo a CLT, artigo 483, “d”: “O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: não cumprir o empregador as obrigações do contrato.”

2. Jurisprudência e doutrina:

O TST já firmou entendimento de que a ausência de depósitos do FGTS se enquadra como falta grave (Precedente IRR 71 e informativo SDI-1). Godinho Delgado e Sergio Pinto Martins igualmente afirmam que o não recolhimento do FGTS autoriza a rescisão indireta com indenização plena ao empregado.

3. Tema central e exemplo prático:

Rescisão indireta ocorre quando o empregador descumpre obrigações contratuais essenciais. Exemplo: empregado percebe que após anos a empresa não recolheu FGTS, ao tentar sacar o valor em situação emergencial.

4. Alternativa correta (A):

A alternativa A está correta. O não recolhimento do FGTS é falta grave e justifica plenamente a rescisão indireta, ensejando todas as verbas rescisórias decorrentes, inclusive a multa do art. 477, §8º: “A inobservância ... sujeitará o infrator à multa de valor igual ao salário do empregado...”.

5. Por que as demais estão incorretas?

  • B: Errada ao negar a multa — ela é devida pois decorre do atraso no pagamento das verbas rescisórias.
  • C: Errada — mistura condições para saque do FGTS ao direito à rescisão indireta, que é autônomo e independe do motivo para saque.
  • D: Incorreta — Jurisprudência dispensa prévio aviso ao empregador e reconhece o não recolhimento como falta grave.

Dica de prova:
Fique atento a pegadinhas que confundem direito à rescisão indireta com regras para saque do FGTS ou exigência de pré-aviso ao empregador. Na prática, basta a comprovação da falta grave.

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Comentários

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IRR nº 70 TST

Tese fixada: A ausência ou irregularidade no recolhimento dos depósitos de FGTS caracteriza descumprimento de obrigação contratual, nos termos do art. 483, "d", da CLT, suficiente para configurar a rescisão indireta do contrato de trabalho, sendo desnecessário o requisito da imediatidade.

IRR nº 52 do TST

Tese fixada: Reconhecida em juízo a rescisão indireta do contrato de trabalho é devida a multa prevista no artigo 477, § 8º, da CLT.

Gabarito: A

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