Na nomenclatura gramatical, "regência", em sentido amplo, eq...

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Ano: 2009 Banca: FUNRIO Órgão: MPO Prova: FUNRIO - 2009 - MPOG - Analista Administrativo |
Q39807 Português
Na nomenclatura gramatical, "regência", em sentido amplo, equivale a subordinação em geral. Em sentido restrito, e mais habitual, designa a subordinação peculiar de certas estruturas a palavras que as requerem ou preveem na sua significação ou em seus traços semânticos. (Antenor Nascentes, "Dicionário de Regência Verbal", 1998) Identifique a alternativa que contém uma regência apontada como INADEQUADA segundo as normas da língua padrão.
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O ponto que decide a questão é a regência do verbo "custar" no sentido de dificuldade. Em "Muitos eleitores custaram a acreditar que ele seria novamente candidato a prefeito de São Paulo.", a norma-padrão tradicional exige construção como "Custou a muitos eleitores acreditar..." ou "Custou-lhes acreditar..."; por isso, a alternativa E é a inadequada.

Tema central: regência de custar
Análise das alternativas
A
Errada
Não há inadequação de regência. Em "Trouxemos-lhe alguns lindos docinhos", o verbo "trazer" aparece com objeto direto para a coisa trazida ("alguns lindos docinhos") e objeto indireto pronominal para o destinatário ("lhe"). O uso de "lhe" é compatível com essa função, portanto a alternativa não pode ser a resposta.
B
Errada
Não há inadequação de regência. A estrutura normativa de "preferir" é "preferir X a Y", e isso foi preservado em "preferem ficar em casa à noite a sair desacompanhadas". O estranhamento possível vem da sequência de dois "a", mas eles têm funções diferentes: "à noite" é locução adverbial de tempo, enquanto o segundo "a" introduz o segundo termo da comparação exigida por "preferir".
C
Errada
Não há inadequação de regência. O verbo "morar" rege normalmente a preposição "em", e a forma "nas ruas citadas" realiza exatamente essa regência. A construção está de acordo com a norma-padrão.
D
Errada
Não há inadequação de regência. Em "responder pelo expediente", o verbo "responder" está empregado com a preposição "por" no sentido de responsabilizar-se por algo, e essa construção é regular. Não se pode invalidar a alternativa exigindo outra preposição, porque o verbo admite regências diferentes conforme o sentido.
E
Certa
A alternativa E é a indicada como inadequada porque o problema está na estrutura regencial e sintática de "custar" no sentido de "ser difícil". Nessa tradição normativa, não se admite sujeito pessoal agente em construções como "Muitos eleitores custaram a acreditar". O padrão exigido é fazer a dificuldade recair sobre a oração ou sobre a coisa, com a pessoa introduzida pela preposição "a": "Custou a muitos eleitores acreditar...". Portanto, o desvio não está em "a acreditar", mas em transformar "muitos eleitores" em sujeito de "custar".
Pegadinha da questão
A banca explora a diferença entre uso corrente e norma-padrão tradicional na regência de "custar": muita gente aceita naturalmente "fulano custou a entender", mas a prova cobra a construção conservadora "custou a fulano entender". Também tenta induzir erro visual em B pela proximidade entre "à noite" e "a sair".
Dica para questões semelhantes
  • Com "custar" no sentido de dificuldade, verifique se a pessoa foi posta como sujeito; na norma tradicional cobrada em prova, isso sinaliza inadequação.
  • Em verbos de regência variável, como "responder", identifique primeiro o sentido para só depois julgar a preposição.
  • Em "preferir", confirme se a estrutura comparativa "X a Y" foi mantida, mesmo quando os termos forem infinitivos.

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Comentários

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Qual o erro da "e"? O correto seria: "candidato para prefeito de São Paulo"?Alguém se habilita?:|
O erro da letra "e" é a regência do verbo CUSTAR.CUSTAR:No sentido de ser difícil será TRANSITIVO INDIRETO, com a preposição A. Nesse caso terá como sujeito aquilo que é difícil, nunca a pessoa, que será objeto indireto..ex: Custou-me acreditar em Hipocárpio. Custa a algumas pessoas permanecer em silêncio.na questão, "muitos eleitores" é OBJETO INDIRETO, o que requer a preposição "a". Então: A muitos eleitores custaram. O "a" encontrado após overbo custar não faz parte da regência deste.
Não se liga o verbo custar com "a" ou "para" a outro verbo. Portanto, são erradas as construções:
“Custamos a entender o assunto.”
“Ele custou para chegar.”
* Usam-se :
Custou-nos entender o assunto.
(ou Custou a nós entender o assunto.)
Custou a ele chegar.
(ou Custou-lhe chegar.)
 

O sentido mais usual de "Custar" é ter o valor.

  • O carro custou vinte mil reais.

Nos sentidos de ser custoso, difícil, o verbo "Custar" deve ser empregado na 3ª pessoa do singular, tendo como sujeito a coisa que é difícil (uma oração reduzida de infinitivo), a qual pode vir precedida da preposição a.

  • Custa-me a entender.
  • Custava-me lutar contra ela.

Nos sentidos de acarretar trabalhos, causar incômodos, sofrimentos, prejuízos, o verbo custar é Transitivo Direto e Indireto.

  • A imprudência custou-lhe a vida.
  •  A conquista do salário custa ao trabalhador muitos sacrifícios.
Muitos eleitores custaram a acreditar que ele seria novamente candidato a prefeito de São Paulo.
O verbo "Custar" não deve ser ligado a outro verbo por "A" ou "PARA".
Aula 117 de Regência: Profº. Bernardo -  EVP.

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