Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas, ma...
As questões desta prova foram elaboradas a partir do texto ‘Para que a existência valha a pena...’, de Lya Luft, o qual foi utilizado em fragmentos por ordem de ocorrência. (Retirado de https://www.viva50.com.br/para-que-a-existencia-valha-a-pena-texto-de-lya-luft/ - com adaptações).
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas, mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade. Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.
Avalie as afirmações acerca de vocábulos do fragmento acima:
I. O pronome ‘nos’ está em próclise devido à ocorrência de um pronome relativo antes do verbo na oração.
II. Nas duas ocorrências, o ‘mas’ exerce a mesma função, estabelecendo a mesma relação de sentido.
III. O vocábulo ‘obstinadamente’ é formado por sufixação.
IV. Todos os vocábulos negritados na última linha do fragmento têm, cada um deles, mais letras que fonemas.
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Gabarito: E
Tema central: A questão aborda colocação pronominal, função de conjunções, formação de palavras por sufixação e relação entre letras e fonemas—temas fundamentais da gramática normativa.
Justificativa da alternativa correta:
I. Próclise: O pronome “nos” está em próclise por haver o pronome relativo “que” antes do verbo (“que nos é imposto”). Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), pronomes relativos atraem o pronome oblíquo, tornando a próclise obrigatória.
II. Função do “mas”: As duas ocorrências da conjunção “mas” têm valor adversativo—em ambos os casos, marcam contraste entre ideias (“sem rebeldias insensatas, mas sem demasiada sensatez”; “saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim”). Tal uso se encontra em Cunha & Cintra (“coordenativa adversativa”).
III. Sufixação: “Obstinadamente” é formado pelo adjetivo “obstinado” + sufixo “-mente”, processo de sufixação. Dessa forma, a palavra resulta da junção de radical e sufixo, como prescreve Rocha Lima.
IV. Letras x fonemas: Os vocábulos “gente”, “melhor” e “que” apresentam dígrafos (“ge”, “lh” e “qu”), ou seja, possuem mais letras que fonemas (sons). Exemplo: em “gente” há 5 letras, mas 4 fonemas (“gẽ.tʃi”).
Análise das alternativas:
- A, B, C, D: Todas desconsideram pelo menos uma afirmação correta, contrariando as regras gramaticais expostas acima.
Importante destacar: Uma pegadinha comum em questões desse tipo é a análise superficial de formação de palavras ou desconhecimento dos dígrafos. Ao revisar, leia atentamente o enunciado e identifique os elementos “âncora” da gramática.
Reaplicação em provas: Sempre observe o contexto gramatical e semântico dos termos analisados. O domínio da análise morfossintática e da fonologia normativa é diferencial em provas de alto nível.
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Gabarito letra E!
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