São considerados medicamentos ototóxicos, EXCETO:

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Q3193700 Medicina
São considerados medicamentos ototóxicos, EXCETO:
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Tema central: Ototoxicidade é a lesão de estruturas do ouvido interno (cóclea e/ou vestíbulo) por fármacos ou agentes químicos, levando a zumbido, hipoacusia (geralmente inicialmente em altas frequências) e/ou vertigem. Risco aumenta com dose acumulada, insuficiência renal e uso concomitante de outros ototóxicos. (UpToDate; Harrison’s)

Alternativa correta: E – Dexametasona

Justificativa: A dexametasona não é ototóxica. Ao contrário, é utilizada por via intratimpânica no tratamento de zumbido, doença de Ménière e perda auditiva súbita sensorioneural, e como medida protetora frente à ototoxicidade por platinas. Estudos e diretrizes de otorrinolaringologia (AAO-HNS) consideram os corticosteroides seguros para o ouvido interno quando administrados adequadamente.

Análise das alternativas incorretas

A – Gentamicina: Aminoglicosídeo classicamente ototóxico. Lesa células ciliadas (sobretudo vestíbulo), cursando com oscilopsia/instabilidade e hipoacusia. Risco maior com níveis séricos elevados, terapia prolongada e insuficiência renal. Monitorização e evitar associações com outros ototóxicos são recomendados. (UpToDate)

B – Cisplatina: Antineoplásico de platina, causa ototoxicidade cumulativa e geralmente irreversível por estresse oxidativo e dano à estria vascular e células ciliadas externas. Manifesta-se com perda auditiva bilateral em altas frequências e zumbido; crianças são particularmente vulneráveis. Monitorização audiométrica seriada é padrão. (Harrison’s; ASCO/AAO-HNS)

C – Ácido acetilsalicílico (AAS): Os salicilatos podem causar zumbido e perda auditiva dose-dependente e reversível, por alterações na motilidade das células ciliadas externas. O quadro regride após suspensão ou redução da dose. (UpToDate)

D – Clorexidina: Antisséptico com potencial ototóxico quando alcança o ouvido médio/interno (p.ex., em perfuração timpânica). Estudos experimentais e relatos clínicos mostram dano coclear; por isso, recomenda-se evitar seu uso no conduto auditivo quando há suspeita de perfuração. (Literatura de ORL e segurança de antissépticos)

Dicas de prova e pegadinhas

- Destaque mentalmente a palavra EXCETO para não inverter a resposta.

- Lembre-se dos grandes grupos ototóxicos: aminoglicosídeos, platinas, salicilatos (reversível), diuréticos de alça e alguns antissépticos em contato com o ouvido médio.

- Corticoides, como a dexametasona, são considerados seguros e terapêuticos para o ouvido interno.

Aplicação prática

- Suspeitou ototoxicidade? Realize audiometria/otoemissões, revise doses e função renal, suspenda ou ajuste o agente e monitore. Em platinas, programe avaliação audiológica seriada. (AAO-HNS; UpToDate)

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