Em relação às otites externas agudas, assinale a alternativa...
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Tema central: Otite externa aguda (OEA) — inflamação infecciosa do conduto auditivo externo, geralmente após umidade excessiva (“ouvido do nadador”) ou trauma por cotonete. Sintomas-chave: otalgia intensa, prurido, otorreia, hipersensibilidade à tração do pavilhão/tragus e edema/eritema do conduto. Exame pode mostrar detritos e membrana timpânica difícil de visualizar.
Alternativa INCORRETA: C — Antibióticos sistêmicos NÃO são terapia inicial na OEA difusa não complicada. A conduta de primeira linha é limpeza do conduto, analgesia e antibióticos tópicos (quinolonas ou associação com corticoide; considerar “mecha” se edema importante). Sistêmicos só se houver extensão para pele periauricular/celulite, imunossupressão, diabetes com sinais de gravidade ou falha do tópico. Referências: AAO-HNSF Clinical Practice Guideline: Acute Otitis Externa; UpToDate; Cummings Otolaryngology.
Análise das demais alternativas
A — Correta. A maioria dos casos é bacteriana; Pseudomonas aeruginosa é o agente mais comum na OEA difusa, seguido por Staphylococcus aureus. Fatores de risco: umidade, pH alterado, microtrauma. (AAO-HNSF, UpToDate)
B — Correta. Na OEA localizada (foliculite/furúnculo do conduto), o principal agente é S. aureus. Abordagem: calor local, tópico antisséptico/antibiótico e, se necessário, drenagem de furúnculo; antibiótico sistêmico antiestafilocócico apenas se houver celulite/sinais sistêmicos. (Cummings, UpToDate)
D — Correta. Otite externa necrotizante deve ser suspeitada diante de otalgia intensa, noturna, persistente e refratária, especialmente em idosos diabéticos ou imunodeprimidos. Achados: tecido de granulação no assoalho do conduto, possível paresia de nervos cranianos. Confirmação com imagem (TC/RM), VSG/PCR elevadas e cultura. (Harrison, UpToDate)
E — Correta. Na otite externa necrotizante (maligna), o patógeno mais frequente também é P. aeruginosa. Tratamento exige antibiótico sistêmico antipseudomonas (ex.: ciprofloxacino; alternativas parenterais como ceftazidima/piperacilina-tazobactam conforme gravidade e resistência), além de controle glicêmico e seguimento. (AAO-HNSF, UpToDate)
Dicas de prova e raciocínio:
- Diante de OEA difusa sem complicações, pense em terapia tópica como padrão-ouro; “antibiótico sistêmico inicial” é pegadinha frequente.
- Dor à pressão/tracção do tragus sugere OEA; febre é incomum e sugere complicação.
- Em suspeita de necrotizante: dor desproporcional, risco (DM/imunodepressão) e falha do tópico → investigar e tratar sistemicamente.
Referências-chave: AAO-HNSF Guideline: Acute Otitis Externa; UpToDate: Acute otitis externa; Cummings Otolaryngology; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: C.
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