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Q3916214 Português
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A evolução da telefonia no mundo pode ser lida como uma história de redução de distâncias: do fio ao sinal, do aparelho fixo ao bolso, da voz ao ecossistema de dados. No fim do século XIX, com a consolidação do telefone como tecnologia comercial, a comunicação deixou de depender do transporte físico de mensagens e passou a acontecer em tempo real, ainda que limitada por infraestrutura cara, por centrais manuais e por redes locais. As primeiras décadas foram marcadas por expansão lenta e desigual, com a telefonia associada a centros urbanos e a instituições, enquanto áreas rurais e regiões periféricas permaneciam à margem.

Com o avanço das redes e a automação das centrais, a telefonia ganhou escala e confiabilidade. A migração gradual de sistemas eletromecânicos para digitais, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, ampliou a capacidade de tráfego, melhorou a qualidade do áudio e abriu espaço para serviços complementares, como discagem direta, chamadas internacionais mais acessíveis e recursos de identificação e encaminhamento. Ao mesmo tempo, a telefonia se tornou um serviço essencial para atividades econômicas, emergências e organização social, criando uma expectativa de disponibilidade que passou a moldar rotinas e decisões.

A virada mais visível ocorreu com a telefonia móvel. O que começou como tecnologia restrita e de alto custo transformou-se, em poucas décadas, em base de conectividade para bilhões de pessoas. A passagem por diferentes “gerações” de redes — com maior cobertura, maior velocidade e menor latência — não significou apenas melhora técnica: mudou o significado do próprio telefone. O aparelho deixou de ser um terminal de voz e tornou-se um dispositivo híbrido, que integra comunicação, registro, localização, autenticação e acesso permanente a serviços, redefinindo a noção de presença e urgência.

Hoje, a telefonia se confunde com a infraestrutura digital que sustenta aplicações, plataformas e serviços em nuvem, incluindo chamadas por internet e múltiplas formas de interação que extrapolam a voz. Essa integração trouxe ganhos evidentes, mas também novas tensões: dependência tecnológica, desafios de privacidade, golpes, exclusão digital e vulnerabilidades em redes críticas. Assim, a evolução da telefonia não é apenas uma linha de inovações: é um processo que reorganiza hábitos, relações de trabalho, formas de sociabilidade e modos de participação no mundo, revelando que cada avanço técnico vem acompanhado de mudanças culturais e éticas. 
Considere, entre as alternativas, a palavra que não contenha um prefixo em sua formação:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é distinguir prefixação de sufixação nas palavras do comando: em "reorganiza / infraestrutura / internacionais / vulnerabilidades", há prefixo produtivo em re-, infra- e inter-, enquanto "vulnerabilidades" não se forma por acréscimo de prefixo, mas por derivação sufixal a partir de "vulnerável" > "vulnerabilidade" > plural; por isso, a única alternativa compatível com o enunciado é a D.

Tema central: identificação de prefixo
Análise das alternativas
A
Errada
"Reorganiza" deve ser eliminada porque contém prefixação: re- + organiza. O prefixo re- é identificável e produtivo, acrescentando a ideia de repetição, renovação ou nova organização. Como o comando pede a palavra que não contenha prefixo, essa alternativa não pode ser a resposta.
B
Errada
"Infraestrutura" está errada porque apresenta o prefixo infra- + estrutura. O fato de a palavra aparecer lexicalizada não elimina sua análise mórfica. Há elemento prefixal reconhecível antes da base lexical, o que contraria o comando.
C
Errada
"Internacionais" também deve ser descartada, pois remete a "internacional", formada com o prefixo inter- diante de "nacional", além da terminação final correspondente à forma no plural. A flexão e a terminação não apagam a presença do prefixo. Logo, a alternativa não satisfaz o critério pedido.
D
Certa
"Vulnerabilidades" está correta porque a palavra não apresenta prefixo em sua formação. O que a estrutura morfológica mostra, para o que a questão pede, é derivação sufixal sobre a base "vulnerável", com acréscimo de "-idade", seguida de flexão de plural. O segmento inicial da palavra não corresponde, na base fornecida, a prefixo produtivo do português. Portanto, ela é a única opção que atende ao comando.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: fazer o candidato procurar qualquer processo de formação, quando o comando pede especificamente ausência de prefixo, e tratar palavras como "infraestrutura" e "internacionais" como blocos indivisíveis, deixando de reconhecer os prefixos.
Dica para questões semelhantes
  • Leia o comando com precisão: aqui não se pedia palavra simples nem palavra sem derivação, mas palavra sem prefixo.
  • Separe formação de flexão: plural ou terminação final não decide sozinho a presença de prefixo.
  • Só considere prefixo quando houver elemento mórfico inicial reconhecível e produtivo, como re-, infra- e inter-.
  • Se a palavra tiver sufixo, isso não a elimina automaticamente; o ponto é verificar se há ou não prefixação.

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