No trecho do primeiro parágrafo "a comunicação deixou de de...

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Q3916211 Português
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A evolução da telefonia no mundo pode ser lida como uma história de redução de distâncias: do fio ao sinal, do aparelho fixo ao bolso, da voz ao ecossistema de dados. No fim do século XIX, com a consolidação do telefone como tecnologia comercial, a comunicação deixou de depender do transporte físico de mensagens e passou a acontecer em tempo real, ainda que limitada por infraestrutura cara, por centrais manuais e por redes locais. As primeiras décadas foram marcadas por expansão lenta e desigual, com a telefonia associada a centros urbanos e a instituições, enquanto áreas rurais e regiões periféricas permaneciam à margem.

Com o avanço das redes e a automação das centrais, a telefonia ganhou escala e confiabilidade. A migração gradual de sistemas eletromecânicos para digitais, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, ampliou a capacidade de tráfego, melhorou a qualidade do áudio e abriu espaço para serviços complementares, como discagem direta, chamadas internacionais mais acessíveis e recursos de identificação e encaminhamento. Ao mesmo tempo, a telefonia se tornou um serviço essencial para atividades econômicas, emergências e organização social, criando uma expectativa de disponibilidade que passou a moldar rotinas e decisões.

A virada mais visível ocorreu com a telefonia móvel. O que começou como tecnologia restrita e de alto custo transformou-se, em poucas décadas, em base de conectividade para bilhões de pessoas. A passagem por diferentes “gerações” de redes — com maior cobertura, maior velocidade e menor latência — não significou apenas melhora técnica: mudou o significado do próprio telefone. O aparelho deixou de ser um terminal de voz e tornou-se um dispositivo híbrido, que integra comunicação, registro, localização, autenticação e acesso permanente a serviços, redefinindo a noção de presença e urgência.

Hoje, a telefonia se confunde com a infraestrutura digital que sustenta aplicações, plataformas e serviços em nuvem, incluindo chamadas por internet e múltiplas formas de interação que extrapolam a voz. Essa integração trouxe ganhos evidentes, mas também novas tensões: dependência tecnológica, desafios de privacidade, golpes, exclusão digital e vulnerabilidades em redes críticas. Assim, a evolução da telefonia não é apenas uma linha de inovações: é um processo que reorganiza hábitos, relações de trabalho, formas de sociabilidade e modos de participação no mundo, revelando que cada avanço técnico vem acompanhado de mudanças culturais e éticas. 
No trecho do primeiro parágrafo "a comunicação deixou de depender do transporte físico...", o termo destacado integra o sentido do verbo "depender". Considerando a regência verbal que exige a preposição "de", a função sintática desse termo é:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho "a comunicação deixou de depender do transporte físico", a análise deve partir da regência verbal indicada no comando: o verbo "depender" exige a preposição "de", e a expressão preposicionada completa seu sentido; por isso, a função sintática é de objeto indireto.

Tema central: regência verbal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque objeto direto é complemento verbal sem preposição exigida pelo verbo. No trecho, a preposição "de" é regida por "depender". Portanto, "do transporte físico" não pode ser objeto direto.
B
Certa
A alternativa B está correta porque a expressão "do transporte físico" completa o sentido do verbo "depender", que é transitivo indireto e rege a preposição "de". Na sequência "deixou de depender", o núcleo verbal relevante para a seleção do complemento é "depender". Assim, o termo destacado exerce função de objeto indireto.
C
Errada
Está errada porque adjunto adnominal é termo acessório ligado a um nome, com valor de determinação, caracterização ou especificação. Aqui, "do transporte físico" não modifica nenhum nome; ele é exigido pelo verbo "depender" para completar o sentido da oração.
D
Errada
Está errada porque complemento nominal completa o sentido de um nome, não de verbo. O próprio comando afirma que o termo destacado integra o sentido do verbo "depender" e orienta a análise pela regência verbal. Logo, a função sintática é de complemento verbal: objeto indireto.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre termo preposicionado e complemento nominal. Como há preposição, muitos candidatos marcam complemento nominal sem verificar se o termo completa um nome ou o verbo "depender". Outra dispersão possível é a locução "deixou de depender", mas o complemento é selecionado por "depender".
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado destacar regência verbal, identifique primeiro qual verbo realmente exige o complemento.
  • Nem todo termo preposicionado é complemento nominal; verifique se ele completa verbo ou nome.
  • Em locuções como "deixou de depender", observe qual verbo carrega o sentido que pede complemento.
  • Se a preposição for exigida pelo verbo, a tendência é de objeto indireto, não de objeto direto.

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