São vantagens da cirurgia otológica endoscópica, EXCETO:

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Q3193682 Medicina
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Tema central: Cirurgia otológica endoscópica (EES). O endoscópio fornece visão ampliada e angulada (0º, 30º, 45º, 70º) da orelha média por via transcanal, permitindo acessar recessos “escondidos” sem remoção extensa de osso. Porém, a imagem é bidimensional, com implicações na percepção de profundidade.

Alternativa correta (EXCETO): C – “Melhor percepção de profundidade”. No endoscópio, a visualização é 2D, sem estereopsia binocular, portanto não há melhora da percepção de profundidade em relação ao microscópio, que é estereoscópico. Na EES, a noção de profundidade depende de pistas monoculares (movimento, sombra, tamanho relativo) e da experiência do cirurgião. Essa é uma pegadinha clássica: associe “profundidade” ao microscópio, não ao endoscópio.

Por que as demais são vantagens reais da EES?

A – Melhor visão dos recessos timpânicos. Verdadeiro. Ópticas anguladas permitem visualizar sinus tympani, recesso facial, hipotímpano e protympanum sem ampla remoção óssea. Isso favorece inspeção e limpeza de doença (ex.: colesteatoma) em “zonas de sombra”.

B – Melhor visão do ático sem remoção de paredes ósseas. Verdadeiro. O ático/anterior epitympanum e o recesso supratubário são acessados por via transcanal com endoscópios angulados, muitas vezes evitando remoção significativa do escudo (scutum) ou canaloplastias extensas.

D – Uso de um acesso natural da orelha média. Verdadeiro. A via transcanal é um “orifício natural”, frequentemente evitando incisão retroauricular e mastoidectomia em casos selecionados (p.ex., timpanoplastias, colesteatoma limitado), com potencial redução de morbidade e dor.

E – Melhor visão da região anterior do meato acústico externo. Verdadeiro. A EES supera o “overhang” da parede anterior do MAE, melhorando a visualização do anel timpânico anterior e das margens de perfurações anteriores, otimizando miringoplastias e dissecções nessa área.

Dicas de prova: destaque mentalmente “EXCETO” e identifique a palavra-chave “profundidade” como indício de microscopia. Lembre dos trade-offs da EES: mão única, necessidade de hemostasia rigorosa e risco térmico da ponta do endoscópio — reforçando que “profundidade” não é vantagem da técnica.

Referências essenciais: UpToDate (Endoscopic ear surgery, 2024); Glasscock-Shambaugh: Surgery of the Ear; KJ Lee’s Essential Otolaryngology; Marchioni et al., Otol Neurotol; Tarabichi, Laryngoscope. Esses textos destacam a superioridade da EES em campos angulados e sua limitação em estereopsia.

Gabarito: C.

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