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Considerando a construção sintática do trecho "Pouca coisa ...

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Q4111066 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As tempestades sempre passam


As tempestades, vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam. Umas demoras mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas, passam. Passam como o vento passa, como as marés se repetem, sempre outras em seu movimento de subir e descer. Passam como o ciclo das mulheres, como o corpo que se abre, como a vida que nasce de dentro do ventre e ilumina este mundo no primeiro choro saudando a luz.


As tempestades passam e deixam no céu a transparência que me fala de outros mundos, de outras dimensões, de momentos esquecidos que precisam ser resgatados, e de outros não vividos, que se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho.


As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante, que faz mais alegre o dia, para dar lugar a uma lua que, se estiver cheia é uma ode impressa no céu, mas que, se estiver crescente, é um soneto, e é o momento mais terno e mais suave de todos os que a natureza dá.


Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade. Pouca coisa tem mais poesia do que o céu limpo mudando de cor, até atingir o azul profundo, onde a lua se deita, como uma cimitarra de ouro, apontando os rumos e as rotas das vidas de cada um de nós.


A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro, como se todos fossemos um único corpo, e o universo não se fragmentasse em estrelas e cometas rodeados de planetas, onde, algumas vezes, a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós, como cada corpo e cada pensamento.


A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada, na semente carregada pelo vento, no encontro da luz com as águas escuras onde ela reflete os sonhos de Deus, antes de criar o paraíso.


MENDONÇA, Antonio Penteado. As tempestades sempre passam. Crônicas da Cidade, 28 nov. 2021. Disponível em: https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/11/28/as-tempestades-s empre-passam/ . Acesso em: 16 nov. 2025.
Considerando a construção sintática do trecho "Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade", analise o uso do acento indicativo de crase em "à noite" e assinale a alternativa que apresenta a justificativa gramatical correta para sua ocorrência.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: No trecho "Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade.", a forma pronominal "se compara a" exige a preposição "a", e "noite" admite o artigo definido feminino "a"; a fusão desses dois elementos produz "à", o que confirma a alternativa D.

Tema central: Crase por regência verbal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque dispensa a análise da regência verbal, mas a crase depende justamente da presença da preposição exigida pelo termo regente. Não basta que o termo seja feminino e determinado; sem preposição justificada sintaticamente, não há fundamento completo para a crase.
B
Errada
Está errada porque transforma o valor temporal em regra automática. A base afasta essa generalização: nem toda expressão de valor temporal recebe crase. Nesta questão, o comando manda considerar a construção sintática do trecho, e o que justifica o acento grave é a regência de "se compara a" somada ao artigo feminino, não uma suposta regra universal para adjuntos adverbiais de tempo.
C
Errada
Está errada porque nega a preposição exigida pela construção "comparar-se a". No trecho, o verbo na forma pronominal rege "a" para introduzir o termo comparado; por isso, o acento grave não foi usado indevidamente. A alternativa contraria a regência verbal identificada na base.
D
Certa
A alternativa D apresenta o critério normativo aplicado ao trecho: a crase em "à noite" não se explica apenas por se tratar de um substantivo feminino, mas pela construção "se compara a", na qual há preposição exigida pela regência e artigo definido feminino antes de "noite". A combinação de "a" + "a" resulta em "à".
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de tratar "à noite" apenas como expressão temporal cristalizada e esquecer que o enunciado exige análise sintática do trecho; aqui, a crase se explica pela regência de "se compara a" combinada com o artigo feminino de "noite".
Dica para questões semelhantes
  • Antes de decidir pela crase, verifique se o termo anterior realmente exige a preposição "a".
  • Não conclua pela crase só porque a palavra seguinte é feminina; é preciso confirmar também a presença do artigo.
  • Se o enunciado pedir construção sintática, priorize a regência do verbo em vez de justificativas semânticas genéricas, como valor temporal.

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