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Q4111064 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As tempestades sempre passam


As tempestades, vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam. Umas demoras mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas, passam. Passam como o vento passa, como as marés se repetem, sempre outras em seu movimento de subir e descer. Passam como o ciclo das mulheres, como o corpo que se abre, como a vida que nasce de dentro do ventre e ilumina este mundo no primeiro choro saudando a luz.


As tempestades passam e deixam no céu a transparência que me fala de outros mundos, de outras dimensões, de momentos esquecidos que precisam ser resgatados, e de outros não vividos, que se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho.


As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante, que faz mais alegre o dia, para dar lugar a uma lua que, se estiver cheia é uma ode impressa no céu, mas que, se estiver crescente, é um soneto, e é o momento mais terno e mais suave de todos os que a natureza dá.


Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade. Pouca coisa tem mais poesia do que o céu limpo mudando de cor, até atingir o azul profundo, onde a lua se deita, como uma cimitarra de ouro, apontando os rumos e as rotas das vidas de cada um de nós.


A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro, como se todos fossemos um único corpo, e o universo não se fragmentasse em estrelas e cometas rodeados de planetas, onde, algumas vezes, a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós, como cada corpo e cada pensamento.


A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada, na semente carregada pelo vento, no encontro da luz com as águas escuras onde ela reflete os sonhos de Deus, antes de criar o paraíso.


MENDONÇA, Antonio Penteado. As tempestades sempre passam. Crônicas da Cidade, 28 nov. 2021. Disponível em: https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/11/28/as-tempestades-s empre-passam/ . Acesso em: 16 nov. 2025.
A fonologia estuda os sons da língua em seu funcionamento estrutural, analisando como eles se organizam e produzem sentido dentro do sistema linguístico. Nesse campo, destacam-se os encontros vocálicos, encontros consonantais e dígrafos.

Nesse contexto, assinale a alternativa cuja palavras em destaque NÃO apresente um dígrafo: 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: O comando pede a alternativa cuja palavra destacada “NÃO apresente um dígrafo”, de modo que o critério decisivo é identificar a única palavra em que não há sequência de duas letras representando um único fonema. Entre as opções, apenas “rápidas” não apresenta esse fenômeno; “saudando” tem dígrafo vocálico em “an”, “brilhante” tem dígrafo consonantal em “lh” e “possibilidade” tem dígrafo consonantal em “ss”.

Tema central: Identificação de dígrafo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque “saudando” apresenta dígrafo vocálico em “an”. A confusão possível é olhar para “au” e discutir encontro vocálico, mas isso não elimina o fato decisivo: há dígrafo na sequência “an”, o que exclui a alternativa.
B
Certa
A alternativa B está correta porque, em “rápidas”, não há sequência de duas letras funcionando como representação de um único fonema. As letras da palavra correspondem separadamente aos sons, sem ocorrência de dígrafo.
C
Errada
Está errada porque “brilhante” apresenta o dígrafo consonantal “lh”. Nessa sequência, duas letras representam um único fonema consonantal, portanto a palavra não pode ser a resposta pedida.
D
Errada
Está errada porque “possibilidade” apresenta o dígrafo consonantal “ss”. Entre vogais, essa duplicação gráfica representa um único fonema /s/, o que caracteriza dígrafo e elimina a alternativa.
Pegadinha da questão
A banca explora três confusões reais: tomar “au” em “saudando” como se resolvesse a análise e ignorar o dígrafo “an”; tratar “lh” como encontro consonantal, quando é dígrafo; e achar que “ss” vale por dois sons, quando o relevante é que representa um único fonema.
Dica para questões semelhantes
  • Leia primeiro o comando para saber se a banca quer a palavra com dígrafo ou sem dígrafo.
  • Verifique se há duas letras representando um único fonema; esse é o critério decisivo.
  • Não confunda encontro vocálico com ausência de dígrafo: uma palavra pode ter encontro vocálico e ainda assim conter dígrafo em outro ponto.
  • Em sequências como “lh” e “ss”, confirme se o valor fonológico é de um único som antes de marcar a alternativa.

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