🎯 Saiba o que estudar

Avançado com Treinador a partir de R$ 0,76/dia

Considerando os recursos discursivos e os elementos de prog...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4111059 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As tempestades sempre passam


As tempestades, vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam. Umas demoras mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas, passam. Passam como o vento passa, como as marés se repetem, sempre outras em seu movimento de subir e descer. Passam como o ciclo das mulheres, como o corpo que se abre, como a vida que nasce de dentro do ventre e ilumina este mundo no primeiro choro saudando a luz.


As tempestades passam e deixam no céu a transparência que me fala de outros mundos, de outras dimensões, de momentos esquecidos que precisam ser resgatados, e de outros não vividos, que se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho.


As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante, que faz mais alegre o dia, para dar lugar a uma lua que, se estiver cheia é uma ode impressa no céu, mas que, se estiver crescente, é um soneto, e é o momento mais terno e mais suave de todos os que a natureza dá.


Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade. Pouca coisa tem mais poesia do que o céu limpo mudando de cor, até atingir o azul profundo, onde a lua se deita, como uma cimitarra de ouro, apontando os rumos e as rotas das vidas de cada um de nós.


A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro, como se todos fossemos um único corpo, e o universo não se fragmentasse em estrelas e cometas rodeados de planetas, onde, algumas vezes, a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós, como cada corpo e cada pensamento.


A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada, na semente carregada pelo vento, no encontro da luz com as águas escuras onde ela reflete os sonhos de Deus, antes de criar o paraíso.


MENDONÇA, Antonio Penteado. As tempestades sempre passam. Crônicas da Cidade, 28 nov. 2021. Disponível em: https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/11/28/as-tempestades-s empre-passam/ . Acesso em: 16 nov. 2025.
Considerando os recursos discursivos e os elementos de progressão temática do texto, assinale a alternativa que apresenta uma análise coerente com a construção simbólica do texto e os mecanismos linguísticos empregados para sua articulação semântica. 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é que o texto organiza sua progressão por repetição e encadeamento semântico em torno de “As tempestades passam”, deslocando o sentido do plano concreto para o simbólico. A base aponta como eixo a recorrência de “tempestade”, “passam”, “lua”, “vida”, “luz” e “céu”, com efeito de purificação, renovação e transcendência; por isso, a alternativa correta é a C, e não as leituras que tratam o texto como descrição objetiva, conflito argumentativo ou quebra de coerência.

Tema central: metáfora da renovação
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque atribui ao texto descrição objetiva e termos técnicos, o que a base afasta expressamente. O texto opera com subjetividade e linguagem figurada, como em “me fala de outros mundos, de outras dimensões”, “poesia pura” e “encontro da alma com o eterno”. O campo lexical da natureza não serve para limitar a interpretação simbólica; serve justamente para construí-la.
B
Errada
Está errada porque transforma o texto em conflito argumentativo lógico, quando a base o define como simbólico e imagético. Não há oposição entre efemeridade da natureza e eternidade do ser humano, nem o ser humano é apresentado como eterno. Além disso, a última frase não abandona a linguagem figurada; ela a intensifica com “os sonhos de Deus, antes de criar o paraíso”, o que exclui a ideia de juízo lógico final.
C
Certa
A alternativa C é a única compatível com a construção simbólica do texto, porque reconhece que a tempestade funciona como imagem de algo transitório e que o encadeamento das imagens naturais conduz a sentidos de purificação e renascimento. Isso se confirma em passagens como “As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante” e “A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada, na semente carregada pelo vento”. As demais alternativas se afastam desse eixo: ou tomam o texto como objetivo, ou o reduzem a um conflito lógico, ou entendem como incoerente aquilo que, na verdade, sustenta a unidade semântica do texto.
D
Errada
Está errada porque interpreta como quebra de coerência justamente o mecanismo que organiza o texto. A alternância entre imagens concretas e abstratas não compromete o sentido; ela sustenta a construção simbólica, fazendo a passagem do plano natural ao existencial e espiritual. A base afirma que a coerência interna decorre da recorrência lexical e do encadeamento semântico de “tempestade”, “passam”, “lua”, “vida”, “luz” e “céu”.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre campo lexical da natureza e descrição objetiva: quem lê “tempestade”, “vento”, “marés”, “sol” e “lua” de modo apenas literal erra, porque o texto usa esses elementos como eixo metafórico da transitoriedade e da renovação.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se os elementos concretos do texto estão sendo usados literalmente ou como imagens de estados humanos e existenciais.
  • Observe as repetições estruturantes, como “As tempestades passam”, porque elas costumam indicar a progressão temática decisiva.
  • Se o texto traz expressões como “outros mundos”, “poesia pura” e “encontro da alma com o eterno”, a leitura objetiva ou técnica fica excluída.
  • Não trate a mistura de concreto e abstrato como incoerência sem antes checar se ela funciona como ampliação metafórica do mesmo sentido central.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo