O Modernismo, movimento ao qual pertence Manuel Bandeira, t...

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Q3838121 Português
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Pneumotórax


Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse.


Mandou chamar o médico:


— Diga trinta e três.


— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…


— Respire.


……………………………………………………………………….


— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.


— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?



— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.


Manuel Bandeira
O Modernismo, movimento ao qual pertence Manuel Bandeira, tem como uma de suas premissas o uso da linguagem coloquial em seus poemas. O uso da forma verbal “podia” no trecho “A vida inteira que podia ter sido e que não foi” é um exemplo disso.
A forma verbal CORRETA a ser utilizada neste trecho a fim de estar em consonância com as diretrizes da gramática é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A questão cobra a substituição da forma verbal coloquial "podia" no trecho "A vida inteira que podia ter sido e que não foi." por uma forma compatível com a norma-padrão, mantendo o valor de possibilidade irrealizada no passado; nesse contexto, a forma adequada é "poderia", isto é, o futuro do pretérito.

Tema central: futuro do pretérito
Análise das alternativas
A
Errada
"Pudesse" está no pretérito imperfeito do subjuntivo. Esse modo verbal não se integra adequadamente à construção dada para substituir diretamente "podia" em "podia ter sido". Além disso, exigiria outra organização sintática, e não preserva, na forma do trecho, a equivalência normativa pedida.
B
Errada
"Poderá" está no futuro do presente. Essa forma projeta a possibilidade para um tempo posterior ao momento da fala, mas o verso trata de possibilidade frustrada no passado, como mostra a relação com "ter sido" e "não foi".
C
Errada
"Pode" está no presente do indicativo e expressa possibilidade atual. Isso altera o valor temporal e semântico do trecho, que não fala de possibilidade presente, mas de algo que poderia ter acontecido e não aconteceu.
D
Errada
"Pôde" está no pretérito perfeito do indicativo. Essa forma remete a possibilidade efetiva ou ocorrência situada e concluída no passado, o que não corresponde à ideia de eventualidade não realizada construída no verso.
E
Certa
A alternativa E está correta porque "poderia" recompõe, na norma-padrão, o valor semântico do verso: uma possibilidade hipotética, não realizada, situada em relação a um passado. A reescrita "A vida inteira que poderia ter sido e que não foi" mantém o mesmo sentido contextual de irrealização passada e ajusta a forma verbal ao tempo exigido.
Pegadinha da questão
A banca menciona a linguagem coloquial do Modernismo para induzir o candidato a discutir estilo do poema, mas o comando exige outra coisa: substituir "podia" por uma forma normativa equivalente, sem mudar o sentido. A confusão real está em tratar a escolha original como tema literário, quando o critério decisivo é modo-temporal.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro se o comando pede análise estilística ou reescrita normativa; aqui, o foco é adequação gramatical.
  • Em substituição verbal, não basta manter o radical do verbo: é preciso preservar tempo, modo e sentido contextual.
  • Quando o enunciado expressa hipótese ou possibilidade não realizada no passado, verifique se a forma exigida é o futuro do pretérito.
  • Use o próprio trecho para testar a alternativa: se ela mudar a ideia de irrealização passada, está errada.

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