Assinale a alternativa correta.

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Q583825 Português
Leia o texto.

Não despertemos o leitor

Os leitores são, por sua natureza, dorminhocos. Gostam de ler dormindo. Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o mínimo susto. Apenas frases feitas.

“A vida é um fardo” – isso, por exemplo, pode-se repetir sempre. E acrescentar impunemente: “disse Bias”. Bias não faz mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco, eram uns verdadeiros chatos. Isso para ele, Plutarco. Mas, para o grego comum da época, deviam ser a delícia e a tábua de salvação das conversas.

Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço? O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério com ideias originais.

Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão qualquer declara em entrevista: “O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!”

O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois nada foge mesmo ao seu destino histórico, seja um Império que desaba ou uma barata esmagada.

Mário Quintana
Assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Comentário sobre o gabarito: Alternativa B

Tema central da questão: Interpretação de texto, com avaliação do uso de ironia, análise de sentidos implícitos e conhecimento de figuras de linguagem.

Justificativa da alternativa correta (B): O segundo parágrafo do texto mostra claramente a ironia do autor: ao sugerir que o melhor para manter o leitor é não o “assustar” e fornecer apenas frases feitas, Mário Quintana faz uma crítica velada à passividade do leitor comum e ao discurso previsível e vazio. A ironia, segundo Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), está em afirmar o oposto do que se pensa, muitas vezes com tom humorístico ou crítico — exatamente o que o autor faz aqui. Portanto, a alternativa B é correta.

Análise das alternativas incorretas:

A) “Leitor dorminhoco” não é simplesmente “leitor sonolento”. É uma metáfora para leitores que procuram textos previsíveis, não que estejam com sono propriamente. O erro está na interpretação literal.

C) A frase sobre “Bias” ironiza o uso de argumento de autoridade, mostrando que citar um sábio antigo não torna a frase mais verdadeira ou relevante. Não há convencimento real — o texto, inclusive, chama os sábios de “chatos”, desvalorizando o argumento.

D) “Os leitores são, por sua natureza, dorminhocos.” não traz uma oração intercalada, e sim um adjunto adverbial deslocado (“por sua natureza”), cuja intercalação exige vírgulas, segundo a norma-padrão (veja Cunha & Cintra). Chamar de “oração intercalada” está incorreto, pois não há verbo nesse segmento.

E) “Histórico” é palavra proparoxítona (tônica na antepenúltima sílaba), e não paroxítona. Segundo a regra geral, toda proparoxítona é acentuada (Cunha & Cintra). A justificativa dada está errada: o acento não é por ser paroxítona.

Estratégias para provas futuras: Sempre observe o tom do texto: a ironia aparece em críticas disfarçadas e sugestões absurdas que denunciam o posicionamento do autor. Atenção ao uso real das figuras de linguagem e cuidado com comentários aparentemente técnicos, mas incorretos (como nas alternativas D e E).

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Comentários

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acredito q o texto esteja deslocado (parágrafos zuados)

Gabarito Letra "B".

Comentários das alternativas:

a) Leitor dorminhoco, no texto, é sinônimo de leitor sonolento. Justificativa: nesse caso há diferença em alegar que o leitor é dorminhoco e sonolento. No texto "sonolento" indicaria um estado temporário, já dorminhoco indica que o estado é permanente. Por isso incorreta.

b) GABARITO - No segundo parágrafo do texto, há certa ironia por parte do autor ao dar a receita para se produzir um texto de fácil consumo. Justificativa: CORRETA - A ironia está presente no parágrafo, principalmente no trecho: "Bias não faz mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco, eram uns verdadeiros chatos. Isso para ele, Plutarco. Mas, para o grego comum da época, deviam ser a delícia e a tábua de salvação das conversas".
c) A frase “E acrescenta impunimente: disse Bias" é um argumento de autoridade e dá relevância à frase em que se insere, convencendo o leitor.Justificativa: Não se trata de argumento de autoridade, mas sim termo acessório de efeito: "impunimente". Indica ironia também.

d) Na primeira frase do texto há uma oração intercalada por vírgulas e é essa a justificativa para o uso dessa pontuação.

Justificativa: o trecho entre vírgulas seria oração se constasse pelo menos um verbo.

e) A palavra “histórico", na frase “O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!" é acentuada por se tratar de uma palavra paroxítona. Seu acento é, pois, obrigatório.

Justificativa: trata-se de proparoxítona sempre acentuada.Na minha opinião essas são as justificativas. Se encontrarem alguma incorreção ou mais alguma justificativa comentem!Bons Estudos!
Pessoal, fiz um Canal no YouTube direcionado para as pessoas que precisam estudar lei seca. Seleciono temas específicos direito e compilo os dispositivos legais, súmulas, orientações jurisprudenciais e faço alguns comentários para facilitar a assimilação. O Canal é: "Domínio dos Concurseiros". Se inscrevam e curtam os vídeos! Valeu!Estou aberta para sugestões, no vídeo piloto do canal disponibilizo meu contato! ;)
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Concordo com o Sasá. percebi a ironia em "Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço?", mas para mim este seria o terceiro parágrafo. O texto deve estar realmente deslocado.

"Dorminhoco" está sendo usado no sentido conotativo, demonstrando sarcasmo por parte do autor, conforme se depreende do restante do texto. É uma crítica ao leitor, que é indolente (ou seja, preguiçoso, sonolento) para raciocinar com construções textuais mais elaboradas (tais como aquelas produzidas por filósofos) e prefere a simplicidade das frases feitas.

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